PALAVRAS ESCRITAS SOBRE O MAL DA MALÁRIA

PALAVRAS ESCRITAS SOBRE O MAL DA MALÁRIA

Palavras escritas sobre o mal da malária

O que sentimos quando começamos a ficar doentes da malária?

Nós ficamos com febre alta.

Nós temos sensação de frio.

Nós temos tremores.

Nós sentimos dor na região lombar.

Nós sentimos dor nas pernas.

Nós sentimos dores musculares por todo o corpo.

Nós sentimos fraqueza.

Nós sentimos dor abdominal.

Nós sentimos enjoo.

Nós temos vontade de vomitar.

Nós temos o baço aumentado.

Nossa face fica pálida porque ficamos quase sem sangue.

DE QUE MAL AS PESSOAS ADOECEM QUANDO ESTÃO COM MALÁRIA?

Depois que os brancos invadiram a floresta, a malária se propagou por toda parte. No sague desses brancos há pequenos ovos de malária.

Os médicos conhecem esses pequenos ovos de malária, assim, os chamam de plasmodium. Quando os mosquitos da floresta sugam o sangue dos brancos, eles vão picar os Yanomami.

É assim que os pequenos ovos da malária penetram por sua vez no sangue dos Yanomami. Existem dois tipos de malária:

FALCIPARUM, cujo poder é muito perigoso e faz os Yanomami realmente morrerem.

VIVAX, cujo poder é menos perigoso e faz os Yanomami terem crises repetidas de malária.

QUANDO ESTAMOS COM MALÁRIA, O QUE FAZER?

Quando reconhecemos no microscópio os ovos da malária, nós tomamos logo os comprimidos contra a malária. Somente tomando o remédio direito é que vamos nos curar.

Se todos os ovos da malária não morreram e nós paramos de tomar o remédio, a doença não vai acabar, ela volta rapidamente a nos atacar.

Quando não havia brancos, os nossos antepassados curavam-se da malária com cascas da floresta. Esses remédios contra malária que usavam os nossos antepassados, continuamos também a usar para nos curar, ainda os guardamos em nosso pensamento.

MALARIA EBC

Foto: EBC

O QUE DEVEMOS FAZER PARA NÃO PEGAR MALÁRIA?

Quando as pessoas ficam com malária sem parar, nós borrifamos nossas malocas para que os mosquitos morram e que, assim, eles não nos inoculem ovos de malária.

Lá onde tem garimpeiro existe muita malária perigosa, por isso nós queremos que sejam mandados de volta para onde moram os outros brancos.

Quando vamos até lá onde os garimpeiros estão trabalhando, nós ficamos contaminados facilmente. Por isso, quando somos espertos, nós não vamos lá. Até às malocas dos outros que estão com malária, nós também não vamos para não sermos contaminados.

Fonte: Palavras escritas para nos curar. Escola dos Watoriki  theri pe. MEC/SEF/CCPY, 1993.


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Por Antônio Carlos Queiroz

O fato é histórico, pelo fato de a malária ser uma doença que atinge principalmente as populações pobres do planeta.

Mais de 500 mil pessoas todo ano, 260 mil das quais crianças de menos cinco anos na África Subsaariana.

A vacina, desenvolvida pela GlaxoSmithKline, imuniza crianças conta o parasita Plasmodium falciparum, o mais letal dos cinco patógenos que predominam na África.

Nos testes clínicos, a vacina se mostrou eficaz em 50% dos casos severos da doença, caindo para zero no quarto ano, determinando, portanto, a necessidade de doses de reforço.

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Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil
Surucucu (RR), 09/02/2023 - Mulheres e crianças yanomami em Surucucu, na Terra Indígena Yanomami.  Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que, entre o primeiro semestre de 2023 e o primeiro semestre de 2025, as mortes por malária caíram 70%; as por desnutrição, 70,6%; e por infecções respiratórias, 40,8%.
Para a pasta, os resultados refletem o aumento no número de profissionais de saúde, o fortalecimento da capacidade de resposta local das equipes e a ampliação da vacinação e do acompanhamento nutricional na região.

Profissionais e atendimentos

Os números do ministério indicam que o território Yanomami conta, atualmente, com 1.855 profissionais de saúde – um aumento de 169% em relação ao início de 2023, quando o contingente somava 690.
Os atendimentos à população passaram de 441 mil no primeiro semestre de 2023 para mais de 470 mil no mesmo período de 2025, incluindo equipes que atuam diretamente no território e também na Casa de Saúde Indígena (Casai) em Boa Vista.
Já os atendimentos médicos saíram de 8.341 no primeiro semestre de 2023 para 19.184 no primeiro semestre de 2025.
Enquanto o território contava com seis médicos no primeiro semestre de 2023, o número chegou a 63 no primeiro semestre de 2025.

RETROSPECTIVA_2023 - Agentes do SUS prestam socorro aos Yanomamis. - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Agentes do SUS prestam socorro aos Yanomamis. – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

Urgência e emergência

Os dados mostram ainda uma redução de 25% nas remoções de urgência e emergência em território yanomami entre o primeiro semestre de 2024 (1.817 casos) e de 2025 (1.364 casos), acompanhada por um aumento nas remoções eletivas, que subiram de 231 para 447 no mesmo período.

“Esse resultado reflete maior capacidade de resposta local das equipes de saúde, reduzindo a necessidade de deslocamentos imediatos para hospitais de referência e indica fortalecimento da atenção primária, melhor organização dos fluxos assistenciais e maior resolutividade dos casos no território, com impacto positivo sobre a continuidade do cuidado”, destacou o ministério.

Já o crescimento das remoções eletivas, segundo a pasta, demonstra melhoria no planejamento assistencial, possibilitando que os deslocamentos aconteçam de forma programada, com menor risco e maior eficiência logística.

Malária

As mortes por malária diminuíram de dez entre janeiro e junho 2023 para três no mesmo período de 2025 – uma queda de 70%. Entre 2023 e 2024, a letalidade da doença (proporção de óbitos entre casos confirmados) apresentou redução de 29,6%, seguida de nova queda de 58% de 2024 para 2025.
A testagem para malária no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami passou de 78.577 em 2023 para 136.803 em 2024 (alta de 74,1%) e para 160.085 em 2025 (alta de 17%), um aumento acumulado de 103,7% em relação a 2023.

Nutrição

Os dados também revelam que o número de crianças acompanhadas pela vigilância nutricional aumentou de 67% para 81,7% entre os primeiros semestres de 2023 e de 2025. Atualmente, segundo o ministério, 49,7% das crianças menores de 5 anos apresentam peso adequado, contra 47% em 2023.
Entre 2024 e 2025, o percentual de crianças yanomamis, classificadas com muito baixo peso, caiu de 24,5% para 19,8%.

Yanomamis aguardam por familiares nos arredores do Hospital de Campanha que presta atendimento aos indígenas em situação de emergência em Boa Vista.
Yanomamis aguardam por familiares nos arredores do Hospital de Campanha que presta atendimento aos indígenas em situação de emergência em Boa Vista. Foto-arquivo: Fernando Frazão/Agência Brasil

Infecções respiratórias agudas

O levantamento mostra um aumento de 325% no número de atendimentos por infecções respiratórias agudas no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2023, passando de 3.100 para 13.176 atendimentos.

Vacinação

Na vacinação na rotina, o ministério registrou aumento de 59,5% no número de doses aplicadas no primeiro semestre de 2024 quando comparado a 2023, mantendo o mesmo patamar em 2025.
A séria histórica, segundo a pasta, demonstra “trajetória ascendente, seguida de estabilização, indicando consolidação do desempenho vacinal no território yanomami”.
Entre menores de 1 ano, o indicador Esquema Vacinal Completo (EVC), que mensura a proporção de indivíduos com todas as vacinas preconizadas na rotina, passou de 32,2% em 2023 para 57,8% em 2025, enquanto, entre menores de 5 anos, cresceu de 53,5% para 73,5% no mesmo período.
 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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