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Parque Nacional de Brasília: Privatização faz parte do desmonte da política ambiental brasileira

Parque Nacional de Brasília: Privatização faz parte do desmonte da política ambiental brasileira

Por Hudson Cunha

As gestões preocupantes e irresponsáveis do “Governo Bolsonaro” –  parcialmente expressas nos Decretos nºs 10.147, de 02.12.2019 e 10.447, de 07.08.2020 –  no sentido, respectivamente,  de privatizar a diversos parques nacionais e o Parque Nacional de Brasília, onde está a Água Mineral de Brasília – fazem parte da manobra de desregulamentação e desmonte da política ambiental brasileira, maquinada contra o povo brasileiro pelo Ministro Salles, que chegou a dizer que se deveria aproveitar da preocupação do Brasil com a pandemia para “passar a boiada”, isto é, acabar com a legislação protetiva do meio-ambiente..

Trata-se de um processo que, dentro do governo Bolsonaro, só mudou de endereço, do Ministério do Meio Ambiente para o da Ministério da Economia, de degeneração das necessárias políticas de preservação do meio-ambiente e sob o eufemismo falseador de Programa de Parcerias de Investimento -PPI, mas – como comprovado – parte do desnorteado, desonesto, abjeto e prejudicial Programa Nacional de Desestatização – PND, reelaborado (com a cumplicidade do Presidente das fakes: Bolsonaro) pelo Ministro Guedes, que tem beneficiado a si próprio, até como investidor,e a grandes capitalistas nacionais e estrangeiros em detrimento do patrimônio público, da soberania nacional e do padrão de vida dos brasileiros, inclusive da história e da relação do povo brasileiro com a natureza.

Opção sem a devida transparência e sem prévia consulta à comunidade científica e à população, as privatizações, entre elas a da Água Mineral –  Parque Nacional de Brasília exemplifica ser de impacto negativo patente, pois resultará em um comprometimento de uma reserva que repercute nas bacias que abastecem 29% da água potável do Distrito Federal, incluindo as bacias dos córregos formadores da represa de Santa Maria.

E é  um risco de a exploração e a especulação sobreporem a preservação, o uso comum e a qualidade de vida,  com piora direta no equilíbrio climático e/ou nos valores e qualidade do fornecimento hídrico das cidades de Brazlândia,  Plano Piloto, Sobradinho, Cruzeiro, Taguatinga, Estrutural, Sobradinho, Ceilândia e até Padre Bernardo com reflexos climáticos em grande parte de outras áreas do DF e de Goiás, além do comprometimento do desenvolvimento sustentável e do direito ao lazer acessível do povo brasiliense.

Representa, também, uma descentralização com o descontrole da política de preservação da biodiversidade: flora, fauna e vegetação em geral do Planalto Central, inclusive tendente a comprometer ainda mais espécies em extinção como o tatu campestre, lobo-guará e o tamanduá-bandeira.

Por tudo isso, é preciso alertar sobre o desgoverno ambiental reinante no atual “Governo Federal”, bem como participar da defesa estratégica de uma transição ecológica responsável e se colocar contra as privatizações em curso no interior do desgoverno Bolsonaro.

 Hudson Cunha – Advogado e economista, pós-graduado em Direito Constitucional, membro da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores do Distrito Federal. Redigiu este pequeno artigo com base essencialmente em nota do PT Cruzeiro DF.

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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