Por que te prendem, Jane Fonda?

Por que te prendem, Jane Fonda?

Jane Fonda, 81 anos, atriz famosa há décadas, nos Estados Unidos e em todos os cantos do mundo – parece não ser deste planeta. Pois não é que se inspirou na menina Greta e, há três semanas, toda sexta-feira para em frente ao Capitólio, capital norteamericana, para protestar contra as mudanças climáticas.

A presença de Jane Fonda em frente da sede legislativa dos Estados Unidos incomoda e muito o sistema. Tanto incomoda que foi presa pela terceira vez consecutiva nesta sexta-feira, 25 de outubro. Desta vez, em um protesto liderado pelo grupo Oil Change International, também foi detido o ator Ted Danson, da série The Good Place.

Fonda e Danson foram presos pela polícia do Capitólio, junto com outras 30 pessoas, segundo declaração da própria polícia. Segundo matéria do jornal Daily Mail,  Jane e Ted foram vistos entre cartazes com frases de protesto  como  “Ação climática agora” e “Novo acordo verde agora”.

Jane Fonda, veterana de causas libertárias desde os anos 1970, não foi presa por carregar ela mesma um cartaz com os dizeres: “Entre em movimento / Salve o nosso oceano”, nem por “se manifestar ilegalmente na interseção do Capitólio”, conforme nota da polícia. Jane Fonda foi presa por lutar pela sobrevência de nossoa planeta.

Jane Fonda foi presa três vezes, e possivelmente será umas tantas outras vezes, porque é assim que responde a quem luta um governo tosco (como o nosso ) que, por meros interesses econômicos, prefere acreditar que a terra é plana e que não existem mudanças climáticas. Aff…

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora