POR QUE OS ESTADOS UNIDOS QUEREM ATINGIR O PIX?

POR QUE OS ESTADOS UNIDOS QUEREM ATINGIR O PIX?

POR QUE OS ESTADOS UNIDOS QUEREM ATINGIR O PIX?

Prático, ágil e popular. O Pix definitivamente caiu nas graças do povo brasileiro. Porém, enquanto a funcionalidade introduzida pelo Banco Central (BC) em 2020 é unanimidade nacional, os Estados Unidos observam com incômodo o sistema de pagamento instantâneo.

Por Murilo da Silva

Prático, ágil e popular. O Pix definitivamente caiu nas graças do povo brasileiro. Porém, enquanto a funcionalidade introduzida pelo Banco Central (BC) em 2020 é unanimidade nacional, os Estados Unidos observam com incômodo o sistema de pagamento instantâneo.

Desde o ano passado, o governo norte-americano ameaça a ferramenta brasileira com a investigação oficial sobre práticas comerciais conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

O caso correu pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite à agência governamental impor sanções e retaliações unilaterais. Nesta semana, a investigação terminou. O relatório final indicou que o Brasil conduz práticas comerciais desleais e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.

Dentre as alegadas práticas desleais, rechaçadas pelo governo brasileiro, o Pix aparece como vilão: “tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico”, indica o documento.

Em nota, o Palácio do Planalto sustenta que os EUA obtiveram superávit comercial em relação ao Brasil nos últimos 15 anos, além de indicar que a investigação ocorreu provocada pela família Bolsonaro. “Não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o Pix”, destaca o governo brasileiro.

INCÔMODO DOS EUA

Ainda que sem uma citação direta, a colocação do relatório da USTR deixa explícito o interesse norte-americano sobre o Pix. No entendimento deles, o sistema de pagamentos instantâneo tem prejudicado empresas dos EUA que atuam no setor, ou seja, as grandes operadoras de cartão de crédito.

Entre os especialistas no tema, é apontado que Visa e Mastercard são as principais interessadas no caso e atuam junto ao governo Trump. Também há o interesse da MetaPay, carteira digital de Mark Zuckerberg que utiliza o WhatsApp e o Facebook. A empresa não encontrou espaço no mercado brasileiro e atribui isso ao Pix.

Portanto, existe cobiça dessas empresas pelo controle da operação do Pix, uma vez que descontinuá-lo hoje parece impensável devido à sua inserção na economia brasileira.

Nesse sentido, a Casa Branca tenta minar o governo brasileiro com uma nova taxação para ver se consegue algum avanço sobre o controle do Pix, sendo que o sistema deixará de ser gratuito se cair nas mãos da Visa, Mastercard ou MetaPay. É por esse motivo que o presidente Lula acusa Flávio Bolsonaro de cometer crime de lesa-pátria, ao auxiliar interesses estrangeiros contra a própria nação.

A ofensiva do governo dos EUA pode estar mais relacionada ao MetaPay. Conforme relata, o Banco Central e o Cade, em junho de 2020, suspenderam os pagamentos que o WhatsApp começava a oferecer, para avaliar os riscos e a eficiência no sistema de pagamentos do Brasil.

“O sistema de pagamentos do WhatsApp foi liberado mais tarde quando o Pix já operava plenamente. Imagino que a Meta, que atualmente está muito vinculada com o governo Trump, não deve ter ficado satisfeita”, explicou o professor de economia da UFRRJ, Marcelo Pereira Fernandes, ao Portal Vermelho.

Na avaliação do economista, é difícil considerar as argumentações do governo dos EUA, uma vez que qualquer instituição financeira norte-americana que atue no Brasil pode oferecer aos clientes a ferramenta. Assim, o que sobra é o jogo político para tentar tirar alguma vantagem ou influenciar nas eleições de 2026.

“Provavelmente, o Pix faz parte do pacote para tentar criar o caos e influenciar as eleições presidenciais de outubro. O que é um tiro no pé, já que o sistema é absurdamente popular e isso irá se refletir negativamente na candidatura que agora Washington resolveu apoiar explicitamente [de Flávio Bolsonaro]”, considera o professor.

VISA AND MASTERCARD ARE PLANNING TO SHAKE UP THE STABLECOIN MARKETBUT PULLING IT OFF WONT BE EASY

 Murilo da Silva – Jornalista. Texto editado por limitações de espaço. Veja a matéria completa no Portal Vermelho: https://vermelho.org.br/2026/06/03/por-que-os-estados-unidos-querem-atingir-o-pix/

Imagens: Reprodução

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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