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PORCELANA VILLAS: ARTE INOVADORA NO TRIÂNGULO MINEIRO

PORCELANA VILLAS: ARTE INOVADORA NO TRIÂNGULO MINEIRO

Apaixonada por arte, especialmente pelas expressões mais genuínas da arte popular brasileira, Patrícia Villas, nascida Patrícia Villas Boas, mineira de Uberaba com infância goiana em Formosa, cidade do Nordeste Goiano localizada a cerca de 80 km de Brasília, faz de tudo um pouco: desenha, pinta, produz artesanato, música, teatro, faz esculturas em papier maché e madeira e pinta à mão belas peças de porcelana.

Por Zezé Weiss

As peças de Patrícia traduzem um lindo mosaico do universo cultural brasileiro. A poesia de Cora Coralina, as árvores e passarinhos de Manoel de Barros, o gato Sossõe do Mutum de Guimarães Rosa, a música de Tom Jobim, as flores e lembranças da infância no Cerrado, tudo se junta em frases e imagens articuladas na mais perfeita harmonia.

De onde vem a inspiração? Patrícia atribui sua impressionante capacidade criativa à infância “povoada por mato, bichos, frutas de quintal, e uma feliz convivência com pessoas humildes, com histórias simples, coloridas, cheias de crenças, aromas e sabores deliciosos e inesquecíveis”, e ao incentivo à leitura, às artes e à cultura recebido dos pais, ela mãe zelosa e habilidosa, ele advogado de profissão e artesão/escultor por paixão.

A criação da Porcelana Villas surgiu por acaso, como em uma trajetória natural da sua vida de jovem e de adulta em Uberaba. Em 1997, Patrícia participou da criação do grupo lítero-musical Tons in Versos, do qual ainda faz parte. Em 2005, foi convidada para apresentar um programa de cultura na TV Universitária, também chamado Tons in Versos, onde desde então mostra a história, as belezas naturais, o patrimônio material e imaterial e a produção de artistas de Uberaba e região.

Em pesquisa para o programa, Patrícia descobriu o trabalho de Aninha Prata, talentosa na arte da porcelana. “Depois da entrevista com a Aninha, não larguei mais a porcelana. Aninha me passou todas as coordenadas e assim pude desenvolver e criar a Porcelana Villas”, diz Patrícia, que explica assim o processo de produção de sua porcelana:

“No ABC da Porcelana Villas não pode faltar uma boa matéria prima, desde a porcelana, pincéis, até os pigmentos e óleos para a produção da tinta, já que o processo de produção segue o mesmo, há milênios. Ao pigmento, em forma de pó, acrescento os óleos de cravo e copaíba, para atingir a consistência pastosa necessária. A terebintina funciona como solvente e assim a porcelana pode receber a tinta. Depois da peça finalizada, faço o acabamento com torno e levo a porcelana para o forno aquecido a aproximadamente 700 graus Celsius. Um processo delicado e demorado, mas muito gratificante”, completa Patrícia.

A produção artesanal de Patrícia Villas é comercializada na Livraria Alternativa Cultural, em Uberaba, e por meio do blog porcelanasvillas.blogspot.com, onde chegam encomendas de várias partes do Brasil e do mundo inteiro.

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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