Pesquisar
Close this search box.

Quilombo Gurupá na sombra do arrozal

Quilombo Gurupá na sombra do arrozal

 Por: Fábio Zuker 

Esse curta-metragem acompanha uma reportagem especial sobre os impactos socioambientais da monocultura de arroz no Arquipélago do Marajó a partir da Comunidade de Remanescentes do Quilombo Gurupá, em Cachoeira do Arari, no Pará.

Apesar da distância que separa o quilombo das plantações de arroz, os efeitos são concretos: o quilombo está na foz do Rio Arari; a água captada pelas plantações é de lá retirada, causando seca nunca antes vista.

As comunidades também são impactadas pelo uso intensivo dos agrotóxicos nas fazendas de arroz. O vídeo mergulha também na história de violência do quilombo: sua origem, quando duas pessoas fugiram do trabalho escravo na Fazenda Santana para Gurupá, passando pelo clima de ameaças e medo que marcam a vida no local durante a colheita do açaí. Participam do curta-metragem as lideranças quilombolas Alfredo Neto Batista da Cunha, Maria de Fátima Gusmão Batista (na foto acima) e Rosivaldo Moraes Correa.

Agradecimentos: Comunidade de Remanescentes do Quilombo Gurupá, Rosivaldo Moraes Correa e Érica Monteiro, da Malungu (Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará)

Ficha técnica Direção: Fábio Zuker

Produção audiovisual: Cícero Pedrosa Neto

Montagem: César Nogueira

Mixagem de som: Paulo Marinho

Edição de conteúdo: Elaíze Farias

Edição de Fotografia: Alberto César Araújo

Coordenação geral: Kátia Brasil

Apoio: Repórteres sem Fronteiras

Realização: Amazônia Real

Cachoeira do Arari – Pará – 2020

Fonte: Amazônia Real

amazonia real 1

 

Block

<

p style=”text-align: justify;”> 

Block

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Parcerias

Ads2_parceiros_CNTE
Ads2_parceiros_Bancários
Ads2_parceiros_Sertão_Cerratense
Ads2_parceiros_Brasil_Popular
Ads2_parceiros_Entorno_Sul
Ads2_parceiros_Sinpro
Ads2_parceiros_Fenae
Ads2_parceiros_Inst.Altair
Ads2_parceiros_Fetec
previous arrowprevious arrow
next arrownext arrow

REVISTA

REVISTA 115
REVISTA 114
REVISTA 113
REVISTA 112
REVISTA 111
REVISTA 110
REVISTA 109
previous arrowprevious arrow
next arrownext arrow

CONTATO

logo xapuri

posts recentes