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Rosca Rainha

Rosca Rainha

A rosca rainha reina nas mesas da cozinha brasileira desde tempos distantes. Aqui em casa, tem lugar cativo desde os anos 1970, quando peguei gosto mesmo pela cozinha.

Lúcia Resende

Naquele tempo, não havia internet, não havia Google nem YouTube. A gente aprendia basicamente com as pessoas mais velhas, quase sempre da própria família, ou com as amizades que se construíam na troca de prosa ao final do dia, nos quitutes passados de uma casa a outra (prato que vem cheio não pode voltar vazio – dizia mamãe), nas receitas trocadas, coisas de outra era. Hábitos que felizmente começam a ser resgatados.

Aprendi esta receita com uma vizinha, a paranaense Ivani, mestra na feitura de pães, a mesma que me ensinou a rosca de batatinha, já publicada na revista Xapuri. Repasso-a aqui, na certeza de que o costume ganhará outras moradas.

Ingredientes

3 ovos

1 ½ xícara de açúcar

2 xícaras de leite morno

2 xícaras de água morna

1 colher de chá rasa de sal

1 colher de chá de canela

2 colheres de sopa bem cheias de fermento para pão fresco (ou 2 sachês de fermento seco – 20 gramas)

200 gramas de manteiga derretida

Farinha de trigo o quanto baste (aproximadamente 1 ½ kg)

Modo de fazer

Em uma bacia, coloque 1 xícara de leite morno, 2 colheres de açúcar e o fermento. Misture rapidamente e deixe descansar por cerca 10 minutos. Acrescente 1 xícara de farinha a essa mistura e deixe descansar mais 15 minutos.

Feito isso, junte os ovos, o restante do leite e da água mornos, o sal, o açúcar, a canela, a manteiga derretida. Misture bem e acrescente a farinha pouco a pouco, sovando, até obter uma massa bem homogênea que solte das mãos e da bacia (mas não fique dura). Sove bastante, cubra com um pano e deixe descansar até dobrar de tamanho.

Unte os tabuleiros, enrole as roscas e deixe crescer novamente. Se quiser, pode colocar uma bolinha em um copo de água pra saber a hora de assar (quando a bolinha subir, a rosca está crescida e pronta pra ir ao forno).

Asse em forno 200 graus até que fiquem coradas. Enquanto aguarda as roscas assarem, prepare uma calda com leite, açúcar e canela. Depois de assadas, pincele as roscas ainda quentes com essa calda.

Está pronta a rosca rainha!


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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