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Tamanduaí: O menor e mais raro tamanduá do mundo

Tamanduaí: O menor e mais raro tamanduá do mundo

Cientistas brasileiros são os únicos a estudar o Cyclopes didactylus

Por Suzana Camargo/conexaoplaneta

De pelagem muito densa e curta, com coloração amarelo-dourada, o tamanduaí (Cyclopes didactylus) é a menor e mais rara espécie de tamanduá do mundo. Medindo cerca de 30 cm, sendo metade disso só de cauda, pesa não mais que 400 gramas.

Descrito pela primeira vez em 1758, o tamanduaí, tamanduá-anão ou tamanduá-seda, nomes pelos quais também é conhecido, habita florestas tropicais da América Central e do Sul.

No Brasil, acreditava-se, até a poucos anos, que a espécie só ocorresse na Floresta Amazônica e na Mata Atlântica. Mas foi encontrada uma subpopulação isolada no Delta do Parnaíba, a mais de 1 mil km de distância.

“Descobrimos essa população de tamanduaí, entre os Estados do Piauí e Maranhão, em 2009”, conta Flávia Miranda, coordenadora do Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás do Brasil, em entrevista ao site Conexão Planeta. A organização sem fins lucrativos trabalha em prol da preservação não somente dos tamanduás, mas também de tatus e preguiças.

Acredita-se que os tamanduaís nordestinos possam ter sido separados das populações amazônicas na Era do Pleistoceno, quando as Florestas Atlântica e Amazônica retraíram, sendo substituídas pela Caatinga. Por essa razão, a espécie do Delta do Parnaíba pode ter traços genéticos e evolutivos diferentes daquela da qual foi originada.

Por essa razão, depois da descoberta no litoral nordestino, especialistas do Grupo de Tamanduás, Tatus e Preguiças da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) decidiram separar a subpopulação recém-descoberta daquela que vive na Amazônia. “Somente nosso grupo trabalha com essa espécie no mundo”, afirma Flávia. “O tamanduaí é um animal bastante raro e desconhecido”.

O que os pesquisadores do Instituto Tamanduá sabem é que o tamanduaí tem hábitos noturnos. Descansa durante o dia e faz suas atividades à noite. É um animal arborícola, que vive nas árvores e raramente desce ao chão. Com exceção do período de reprodução da espécie, vive sozinho. Alimenta-se basicamente de formigas e, em menor número, de besouros.

Atualmente existem quatro espécies de tamanduás conhecidas no mundo, sendo que três delas ocorrem no Brasil. Entretanto, ainda não se tem ideia do número de tamanduaís que vivem no litoral nordestino.

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O Tamanduaí do Delta do Parnaíba 

Localizado em uma transição entre Cerrado, Caatinga, restingas e mangues associados a sistemas estuarinos, o Delta do Parnaíba é considerado importantíssimo do ponto de vista biológico, com muitas espécies ainda desconhecidas para a Ciência, muitas delas endêmicas e restritas a pequenas áreas.

É por esta razão, que o Instituto Tamanduá iniciou o projeto “Tamanduaí, em Busca do Desconhecido”. A ideia é transformar o animal em uma espécie guarda-chuva para a preservação dos ambientes costeiros e manguezais do litoral nordestino. “Guarda-chuva é como uma espécie símbolo. Preservando-a, assim como seu habitat, preservaremos todas as espécies que estão ao seu redor”, explica Flávia Miranda.

O trabalho realizado pela pesquisadora e toda a equipe da ONG tem entre seus principais objetivos gerar maior conhecimento sobre taxonomia, sistemática, ecologia e distribuição do tamanduaí; identificar áreas prioritárias e criar Unidades de Conservação para a espécie; e promover ações de educação ambiental para a sensibilização da sociedade.

“A grande carência de conhecimento sobre a espécie, e em particular sobre esta subpopulação nordestina, nunca antes estudada, aliada à crescente degradação do ambiente onde ela ocorre, faz com que se tornem urgentes estudos que levantem informações sobre sua biologia e ecologia, para que isso sirva de subsídio para implementação de futuras estratégias de conservação da espécie”, destaca.

Suzana Camargo – Jornalista, em Conexão Planeta

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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