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Toffoli: ‘Prisão de Lula foi erro histórico’

Toffoli: ‘Prisão de Lula foi erro histórico'

Toffoli classificou a prisão de Lula como um dos “maiores erros judiciários da história do país” e afirmou que ela representou o início de ataques à democracia e às instituições brasileiras

Por Mídia Ninja

Nesta quarta-feira (6), o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou uma decisão histórica ao determinar a anulação de supostas provas oferecidas pela Operação Lava Jato, que foram cruciais para a fundamentação da prisão ilegal do ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva (PT), decretada por Sergio Moro.

Em uma decisão de 135 páginas, Toffoli alegou que essas provas eram resultado de uma “armação” perpetrada por agentes públicos em busca de poder e que utilizaram métodos questionáveis sob a aparência de legalidade. O ministro também comparou a obtenção dessas provas a uma “tortura psicológica”, um “pau de arara do século XXI”, usada para incriminar inocentes.

Toffoli classificou a prisão de Lula como um dos “maiores erros judiciários da história do país” e afirmou que ela representou o início de ataques à democracia e às instituições brasileiras. Segundo ele, as ações desses agentes desrespeitaram o devido processo legal, desobedeceram decisões judiciais superiores e prejudicaram empresas, empregos e patrimônios públicos e privados.

Além disso, o ministro ordenou que a Polícia Federal apresente todo o conteúdo obtido através do acordo de leniência e da Operação Spoofing, sem qualquer edição, em até dez dias, sob pena de crime de desobediência, ampliando ainda mais a repercussão dessa decisão no cenário político e jurídico brasileiro.

Os dois principais personagens da Operação Lava Jato, o ex-juiz e o ex-procurador Deltan Dallagnol, seguiram carreira política após a prisão do ex-, considerada ilegal a partir desta decisão de Toffoli. Lula já foi inocentado em todos os processos da Lava Jato, inclusive os que foram remetidos à primeira instância. O STF declarou Moro suspeito, e Deltan foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo obrigado a abandonar a carreira na política

Fonte: Portal Vermelho Capa: Ricardo Stuckert 


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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