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Tropas de choque atacam comunidade Guarani e Kaiowá

Tropas de choque atacam comunidade Guarani e Kaiowá

Tropas de choque atacam comunidade Guarani e Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, dizem indígenas

Por Bruno Pacheco e Ívina Garcia/via Revista Cenarium

MANAUS – Indígenas do povo Kaiowá e Guarani relataram, nesta sexta-feira, 24, que tropas de choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PM-MS) atacaram, sem ordem judicial, a comunidade Guarani e Kaiowa, no município de Amambai (351 quilômetros de Campo Grande). Vídeos e fotos de feridos do confronto foram compartilhados nas redes sociais por lideranças da região, que pedem assistência médica, ambulância e justiça. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas e três estão desaparecidas.

Urgente e emergencial! Socorro de assistência médica e ambulância! Tropas de choque da Polícia Militar de MS, sem ordem judicial, atacam, fazem chacina e ferem. Ação genocida neste momento contra comunidade Guarani e Kaiowa no município de Amambai, Guapo’y Mirim. Dezenas de indígenas feridos e desaparecidos, e mortos. Precisamos de assistência médica e ambulância. Pedimos justiça”, relatou a página Aty Guasu, da Assembleia Geral do Povo Kaiowá e Guarani, em uma publicação no Instagram.

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Segundo o advogado Eloy Terena, da Articulação Nacional dos Povos Indígenas (Apib), ao menos cinco pessoas foram feridas e outras três, sendo duas mulheres e uma menina de sete anos, desapareceram. O episódio acontece após um grupo de 30 indígenas da região retomarem parte de seu território ancestral Kurupi/São Lucas, em Dourados-Amambai Pegua II e em Naviraí.

Após a retomada, teve início um pesado ataque armado, que começou ainda na madrugada de quinta-feira e se estendeu até o início da manhã desta sexta-feira, 24″, relatou. Eloy ainda afirmou que os ataques partem de uma represália dos ruralistas às lutas pela votação contra o Marco Temporal, suspenso novamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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Quanto mais o STF protela a decisão sobre o direito indígena originário nestas terras, maior é a brutalidade das elites colonizadoras sobre nossas vidas, aparelhando o Estado, contratando a pistolagem para assegurar suas invasões e promover a violência”, afirma Eloy em publicação.

Estudos antropológicos já confirmaram a área como de posse tradicional dos Guarani e Kaiowá, que teve portaria declaratória publicada pelo Ministério da Justiça em 2009, mas aguarda a demarcação definitiva por parte da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e da Presidência da República.

A comunidade, que vive à beira de uma rodovia, reivindica a área da Terra Indígena Guyraroká (TI Guyraroká), de aproximadamente 12 mil hectares, no município de Caarapó. De acordo com lideranças, no local residem cerca de 24 famílias, num total de aproximadamente 120 pessoas. Na noite de quinta-feira, 23, haviam avançado preliminarmente apenas até uma área de pastagem, vizinha à faixa de mata que já ocupavam, e decidiram ocupar a sede de uma fazenda que se encontra dentro de seu território.

O caseiro que se encontrava na fazenda foi liberado pacificamente, assim como a ocupação por parte dos indígenas também sem violência, porém de acordo com as lideranças, a resposta por parte e fazendeiros, seguranças privados e agente públicos foi contrária.

Conflitos

Não é de hoje que conflitos por território tem tirado a vida de indígenas e ambientalistas, segundo o relatório do Centro de Documentação da Comissão Pastoral da Terra (Cedoc-CPT), até maio de 2022, 19 pessoas foram assassinadas em conflitos no campo no Brasil. O número já atingiu metade (54%) do registrado em todo o ano de 2021, quando 35 homicídios foram registrados.

Dentre esses assassinatos está listada a morte de Alex Recarte Vasques Lopes, 18 anos, do povo Guarani Kaiowá. Ele foi morto ao sair da reserva Taquaperi, em Coronel Sapucaia (MS), para buscar lenha em uma área do entorno da Terra Indígena (TI). No local, foi assassinado e o corpo abandonado no Paraguai – em uma área a menos de dez quilômetros dos limites da reserva indígena.

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Alex Lopes estava colhendo lenha quando foi assassinado aos 18 anos (Reprodução)
 
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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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