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Um copo d’água, por favor!

Um copo d’água, por favor!

É tempo de assegurar dignidade a milhões de famílias brasileiras, ao superar o desastre Bolsonaro…

Por Jacques Pena e Kleytton Morais

Parece ser um pedido simples de resolver. Mas não é! Quem afirma isto é o relatório conjunto da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a infância (UNICEF). O documento revela que cerca de 3 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm como lavar as mãos, cerca de 2,2 bilhões não têm acesso à água potável. Segundo o relatório, com a pandemia da Covid-19, a situação foi agravada e trouxe luz a um problema urgente: dificuldade do acesso universal à água potável para beber, cozinhar, para o saneamento e a higiene pessoal. O alcance a esses direitos só será possível se os países criarem políticas que garantam o acesso à água e ao saneamento, traduzido no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de número 6, que deve ser alcançado até 2030. (Fonte: Organizações das Nações Unidas – ONU)

Durante os governos do PT, o acesso à água teve tratamento priorizado, entre as ações promovidas destacam-se: o Plano Decenal da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, que previa a transposição, uma das maiores obras de combate à seca do mundo, levando água a 12 milhões de pessoas; e o Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Água – Água para Todos, do Plano Brasil sem Miséria. O Programa tinha como meta promover o acesso à água potável, para consumo humano, produção agrícola e alimentar. Dentro dos objetivos previstos, a reaplicação da Tecnologia Social Cisterna de Placas foi assertiva no combate à escassez de água para o consumo humano no semiárido brasileiro. O semiárido brasileiro é um bioma que, com essas características, é um dos mais povoados do mundo. Ocupa 12% do território nacional, abrange nove estados da região Nordeste, passando pelo norte de Minas Gerais e possui cerca de 28 milhões de habitantes. (Fonte: Instituto Nacional do Semiárido – INSA).

A cisterna de placas é um reservatório construído para captar e armazenar água da chuva de forma simples, tem capacidade para 16 mil litros, suficientes para abastecer uma família de cinco pessoas por até oito meses. A sua construção é realizada com a interação da comunidade, o que a transforma em Tecnologia Social. Pedreiros da região são capacitados para construir e fazer manutenções na cisterna. Os materiais utilizados são adquiridos no comércio local, movimentando a economia. Com uma imensa possibilidade de alcance social, a cisterna de placas foi adotada como política pública do Programa Água Para Todos.

A Fundação Banco do Brasil (FBB) teve um papel fundamental na contribuição da solução do problema da convivência com o semiárido brasileiro e no fortalecimento da agricultura familiar. Em parceria com o Governo Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Social – BNDES, possibilitou a reaplicação, como política pública coordenada pela Fundação, da Cisterna de Placas e, também, das Cisternas Calçadão e de Enxurrada, que são Tecnologias Sociais para captação e armazenamento de água pluvial destinada ao consumo de pequenos animais e plantio de hortaliças. A parceria entregou 100 mil unidades e levou água potável a 400 mil famílias brasileiras.

A DESIDRATAÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

Enquanto Lula, um nordestino que foi vítima da seca, criou políticas públicas que se tornaram referências mundiais e que levaram água a milhões de pessoas, Bolsonaro empenhou-se veementemente em destruí-las.

Foram quatro anos negligenciando a convivência com o semiárido brasileiro. Seu desgoverno esvaziou o orçamento para a construção de cisternas e reativou a “indústria da seca” com fins eleitoreiros. Criou a “Força-tarefa das águas”, gastando R$ 1,2 bilhão em licitações irregulares para furar poços sem água.

Como forma desesperada de tentar angariar os votos dos nordestinos, Bolsonaro inaugurou trechos da transposição do Rio São Francisco, fazendo apropriação indevida da autoria da obra. Às vésperas do segundo turno das eleições, em atitude vexatória, inaugurou o Ramal do Agreste, uma obra hídrica sem água, na cidade de Sertânia (PE), que levaria água para 68 municípios da região. No entanto, o funcionamento do ramal dependia de uma outra obra, a da Adutora do Agreste, que está parada porque o seu próprio governo vetou os recursos para concluí-la.

Após sua derrota nas eleições, o ex-capitão promove uma retaliação ao povo nordestino. Em uma atitude desumana, ele suspendeu a Operação Carro-pipa. A parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Regional com o Exército Brasileiro, há 20 anos leva água potável para 1,6 milhão de pessoas, que vivem em estado de calamidade pública por estiagem ou seca, no semiárido brasileiro. A justificativa para tamanha crueldade é a falta de verba, mas essa conduta é um reflexo do seu descontentamento por ter obtido apenas 23,51% dos votos na região, ante os 53,18% de Luiz Inácio Lula da Silva.

E por último, no apagar das luzes, o assombroso desvio de quase R$ 1 bilhão para a inócua, inoportuna e absurda compra de caixas d’água plásticas, ratifica que Bolsonaro e o bolsonarismo andam de costas para o Brasil.
  
SEDE DE ESPERANÇA

Para os próximos anos, o presidente Lula e sua equipe enfrentarão enormes desafios para recuperar o Brasil e devolver a dignidade ao seu povo. Além da fase delicada de emergência climática que o planeta atravessa, um problema em que o Brasil precisa voltar a atuar fortemente, o governo receberá um país que voltou ao mapa da fome, onde mais de 33 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar grave.

O olhar para o acesso à água é inevitável e está entre as ações para os próximos anos, para garantir a segurança hídrica e alimentar dos que mais precisam. Segundo a Articulação Semiárido Brasileiro – ASA, o governo Bolsonaro destruiu o programa Água para Todos, que construiu de 1,3 milhão de reservatórios. Atualmente existe uma demanda reprimida de 350 mil famílias sem acesso à água de beber no semiárido brasileiro e uma estimativa de que 800 mil famílias necessitam de água para produção de alimentos.

A água é um recurso fundamental à vida e já inspirou diversos artistas e compositores. Os versos “Traga-me um copo d’água, tenho sede. E essa sede pode me matar. Minha garganta pede um pouco d’água. E os meus olhos pedem teu olhar.”, são parte da música ‘Tenho sede’, escrita por Dominguinhos e Anastácia, em 1976. Imortalizada pelo cantor baiano e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, a canção é atemporal e traduz em seus versos um manifesto de um povo que foi abandonado pelo poder público, durante quatro longos anos.

O governo Lula ressurge, diante de um cenário caótico, para matar a sede de esperança do povo brasileiro. Um governo que resgatará o respeito cultural, alicerçado a partir de um consequente diálogo com os movimentos sociais, de forma a ouvir as demandas sociais. Em busca de valorizar e potencializar as ferramentas para implementação de efetivas políticas públicas a partir de parcerias, por exemplo, com o Banco do Brasil, outros bancos públicos e estatais, tendo a Fundação Banco do Brasil e a excelência de seus quadros funcionais o papel de articular e viabilizar os compromissos com os que mais precisam.

Kleytton MoraisSindicalista. Presidente do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal.

Jacques PenaEx-Presidente da Fundação Banco do Brasil, Ex-Secretário de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal e recém-indicado para assumir a Presidência do Banco de Brasília – BRB.

https://xapuri.info/elizabeth-teixeira-resistente-da-luta-camponesa/

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revista 115

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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