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VIVA O VAQUEIRO, HERÓI DO SERTÃO BRASILEIRO!

Viva o Vaqueiro, herói do brasileiro!

Lalauzinho de Lalau
 
Não existe herói maior
No meu sertão brasileiro
Trás a bravura no peito
Tem seu cavalo ligeiro
Que pra ele é um irmão
Personagem do sertão
Viva o dia do vaqueiro
Pega o boi bota no chão
Vai correndo a mais de mil
Tira o leite logo cedo
De forma nobre e gentil
Vê o gado que remói
Viva viva o nosso herói
Do meu sertão brasileiro
VIVA  O VAQUEIRO, HERÓI DO SERTÃO BRASILEIRO!
Foto: Alex Galvão/Império Retrô

SOBRE O VAQUEIRO

Vaqueiro é um termo que designa no a pessoa responsável por cuidar de um rebanho de gado, de modo análago à concepção  americana de cowboy.  

No Sul do Brasil, o gaúcho com sua boleadeira são de origem ibérica, que incorporou elementos indígenas como o uso do chimarrão (origem paraguaia)  e roupas andinas como o poncho. 

No Nordeste do Brasil, onde o Português radicado se transformou no vaqueiro que faz uso de indumentária própria feita de couro, composta por perneira (calça), gibão (dolmâ ou jaqueta de couro, sobretudo), chapéu (de couro de abas largas dobradas no meio), peitoral (avental de couro), luvas e botas também de couro.

Pois o couro protege a pele do vaqueiro contra queimaduras vindas do sol e dos galhos e espinhos das árvores da , mata ou sertão de espinhos verdes, próprios do Nordeste Brasileiro.

Características da vida de Vaqueiro

 A vida dos vaqueiros de hoje não era muito diferente da de antigamente, pois o sertanejo não está motorizado. Correr atrás do animal desgarrado faz parte do seu dia a dia.
 
No Nordeste como no sul brasileiros esta prática é bastante comum ver por estradas de terras esses homens do sertão brasileiro, da área rural, vestidos de roupa de couro correndo atrás das reses, ariscando sua vida em plena caatinga e ou nos pampas do sul, de árvores verdes – espinhentas e cheias de surpresas de possíveis quedas de seus cavalos, pois para perseguir o gado tem que usar o Cavalo e trazer para o Caminhão.
 
O maior problema enfrentado pelo vaqueiro é o da água. Às vezes o gado tem que ser levado por dezenas de quilômetros até os bebedouros (rio, riacho, lago).
 
Na época da migração ele tem que conduzir o gado para lugares distantes na ida e na volta. O tipo étnico do vaqueiro provém do contato do branco colonizador com o índio, durante a penetração do gado nos sertões do Nordeste e sul brasileiro.

O vaqueiro é a figura central de uma fazenda e operador pois o patrão geralmente é ou foi um vaqueiro. Seu trabalho é árduo e contínuo.

Passa grande parte do tempo montado a cavalo percorrendo a fazenda, fiscalizando as pastagens, as cercas e as aguadas (fonte, rio, lagoa ou qualquer manancial existente numa propriedade agrícola) os empregados não vaqueiros conduzem os veículos para o transporte.

O maior problema enfrentado pelo vaqueiro é o da água de norte a sul, mesmo no . Às vezes o gado tem que ser levado por dezenas de quilômetros até os bebedouros.

Na época da migração ele tem que conduzir o gado para lugares distantes na ida e na volta, muitas vezes na Amazonas tem água de mais e o gado pode se afogar.

Em algumas propriedades a migração sazonal não é necessária, devido a existência próxima de aguadas. Nessas regiões normalmente os cactos são abundantes, como por exemplo no vale do Moxotó, em Pernambuco.
 
Os restolhos do roçados de algodão, feijão, fava e milho também são usados na alimentação do gado, assim como o caroço de algodão ou ramos da catingueira, do mulungu, da jurema, do angico, que têm que ser podados pelo vaqueiro.
 
Nos anos mais secos, alguns cactos como o mandacaru e o xique-xique precisam ser queimados antes de ser colocados para alimentar os animais.
 
A macambira, além de ser queimada, deve ser ainda picada, no chamado semiárido, em processo de de sertão brasileiro.

Cabe a ele ainda reunir os animais nos currais, além de ferrá-los, ou seja, utilizando um ferro em brasa colocar em cada um a marca do seu dono, que acontece em todo o Brasil.

Uma das coisas que o caracterizam é o aboio, ao conduzir o gado para o curral ou na pastagem. Eles aboiam também quando precisam orientar um companheiro que se perde numa serra, ou se extravia numa caatinga.

Lidar com o gado no Brasil,  seja na caatinga ou em outro lugar, cheio de galhos e espinhos é muito difícil, por isso o vaqueiro tem que usar uma roupa própria, com condições de enfrentá-la e que funcione como uma couraça ou armadura.

A vestimenta do vaqueiro é caracterizada pela predominância do couro cru e curtido, geralmente, utilizando-se processos primitivos, o que o deixa da cor de ferrugem, flexível e macio (retira-se todo o pelo). Antigamente era usado o couro de veado catingueiro, mas por causa dessa espécie encontrar-se em extinção, passou-se a usar o couro de carneiro e de bode a chamada no sul de pelica.

A vestimenta compõe-se de gibão ou “dolmã” (no sul, parapeito ou peitoral, perneiras, luvas, jaleco e chapéu basicamente, além de cantil e outros equipamentos de sobrevivência.

O gibão, ou dolmã, esse sobretudo, é enfeitado com pespontos e fechado com cordões de couro. O parapeito ou peitoral é seguro por uma alça que passa pelo pescoço.

No sul usa-se também um cobertor com um furo no centro, o chamado “poncho”. As perneiras que cobrem as pernas do pé até a virilha, são presas na cintura para que o corpo fique livre para cavalgar.

As luvas cobrem as costas das mãos, deixando os dedos livres e nos pés o vaqueiro usa alpercatas ou botinas. O jaleco parece um bolero, feito de couro de carneiro, sendo usado geralmente em festas.

Tem duas frentes: uma para o frio da noite, onde conserva a lã, outra de couro liso para o calor do dia. O chapéu protege o vaqueiro do sol e dos golpes dos espinhos e dos galhos da caatinga e, às vezes, a sua copa é usada para beber água ou comer.

O vaqueiro usa sempre um par de esporas e nas mãos uma chibata de couro, indicando que, se não está montado poderá fazê-lo a qualquer momento.

O seu é comemorado anualmente em 20 de julho. Sendo que segundo os próprios sertanejos, todo o dia é dia de vaqueiro e vaquejada

A festa tradicionalmente mais importante para o vaqueiro local – pernambucano, celebra-se no terceiro domingo de julho, na chamada , numa a Raimundo Jacó, vaqueiro assassinado por um companheiro em uma disputa em uma chamada “briga de foice (Duelo)”, até então aceita como acerto de contas, no município de Serrita, PE, em maio de 1954, segundo a tradição local pernambucana.

Fonte da informação sobre o Vaqueiro: https://pt.wikipedia.org/wiki/Vaqueiro

VIVA  O VAQUEIRO, HERÓI DO SERTÃO BRASILEIRO!

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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