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ASSÉDIO: 6 EM CADA 10 MÉDICAS JÁ FORAM VÍTIMAS

Assédio: 6 em cada 10 médicas já foram vítimas

Uma pesquisa recente apontou que somente 10% das médicas que sofreram prestaram queixas a órgãos policiais ou judiciais.

Por Redação/ Planeta Ella

Uma pesquisa inédita conduzida pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pela Associação Paulista de Medicina (APM) revelou números alarmantes sobre a incidência de assédio sexual e moral contra médicas no . Segundo o levantamento online, realizado entre 25 de outubro e 16 de novembro e que contou com a participação de 1.443 profissionais em todo o país, seis em cada dez médicas (62,6%) foram vítimas de assédio em seus ambientes de trabalho.

A pesquisa também apontou que somente 10% das médicas que sofreram violência prestaram queixas a órgãos policiais ou judiciais. Dessas, apenas 5% afirmam que os casos foram efetivamente apurados e os responsáveis, punidos.

A pesquisa também destacou que uma parcela ainda maior, cerca de 74%, testemunhou ou teve conhecimento de casos semelhantes envolvendo suas colegas. A taxa de assédio se torna ainda mais preocupante considerando que 70% das médicas já enfrentaram preconceito em diferentes fases de suas carreiras, com quase um terço (31,7%) relatando discriminação durante o curso de medicina.

A incidência de violência verbal e física também é significativa, atingindo metade das profissionais (51%), enquanto 72,3% testemunharam episódios similares contra outras colegas. Surpreendentemente, 55,4% das médicas optaram por não denunciar o assédio e outros abusos às autoridades competentes. Entre as que denunciaram, apenas uma minoria (11%) viu alguma medida efetiva sendo tomada.

Como resposta aos alarmantes resultados, uma comissão nacional de médicas está sendo formada para lidar com questões de segurança, igualdade de gênero e melhores condições de trabalho. A pesquisa também abordou temas como comportamentos inadequados em trotes e competições esportivas, além de ataques pela internet, evidenciando a necessidade de medidas mais amplas para combater a violência contra as profissionais da saúde.

Fonte: Mídia Ninja. Foto: Getty Images.

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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