PROPOSTA PELO FIM DA ESCALA 6X1 AVANÇA PARA O SENADO

PROPOSTA PELO FIM DA ESCALA 6X1 AVANÇA PARA O SENADO

VITÓRIA DA CLASSE TRABALHADORA: PROPOSTA PELO FIM DA ESCALA 6X1 AVANÇA PARA O SENADO

A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece uma jornada semanal de 40 horas distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado, encerrando oficialmente a escala 6×1. A proposta segue agora para análise do Senado Federal

Por Revista Xapuri/Redação

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Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

No segundo turno, a PEC foi aprovada por 461 votos favoráveis e 19 contrários. Já no primeiro turno, o texto recebeu 472 votos a favor e 22 contra, demonstrando ampla maioria entre os deputados.

A proposta enviada ao Senado é resultado de um substitutivo apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA), que reuniu elementos da PEC 221/19, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e da PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP).

O texto aprovado prevê a redução gradual da jornada de trabalho sem qualquer redução salarial. A proposta estabelece um período de transição para que empresas e trabalhadores se adaptem às novas regras.

Como será a transição

Dois meses após a promulgação da futura emenda constitucional, os trabalhadores já passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Nesse mesmo prazo, a carga horária semanal será reduzida de 44 para 42 horas.

A jornada definitiva de 40 horas semanais passará a valer 14 meses após a promulgação da PEC — ou seja, um ano após o início da fase de transição.

Durante esse período, convenções e acordos coletivos poderão flexibilizar a distribuição diária da jornada para facilitar a adaptação das empresas, desde que sejam respeitados os dois dias de descanso semanal.

Sem redução de salários

O texto garante que a redução da jornada não poderá resultar em corte salarial, seja nominal, proporcional ou indireto. A proteção também se aplica aos pisos salariais das categorias.

Além disso, trabalhadores que já possuem jornadas iguais ou inferiores a 40 horas semanais também terão direito aos dois dias de descanso remunerado sem alteração contratual.

Regimes especiais e atividades essenciais

A PEC prevê regras diferenciadas para setores considerados essenciais ou que operam em regime contínuo, como saúde, segurança, transporte, limpeza urbana e atividades em escala 12×36.

Nesses casos, acordos ou convenções coletivas poderão estabelecer formas de compensação para garantir, na média mensal, os dois dias de descanso semanal remunerado.

Isso permitirá, por exemplo, o acúmulo de folgas dentro do mesmo mês, desde que ao menos um dos descansos ocorra após uma semana de trabalho.

Exceções previstas

O texto também estabelece algumas exceções às novas regras. As limitações constitucionais de jornada não serão obrigatórias para trabalhadores com diploma de nível superior que recebam acima de 2,5 vezes o teto da Previdência Social — atualmente equivalente a cerca de R$ 21 mil.

A medida foi defendida pelo relator como forma de evitar a “pejotização”, prática em que empresas substituem contratos CLT por vínculos como pessoa jurídica.

Além disso, empregados públicos da administração direta e indireta dos estados, municípios e União não serão abrangidos pela nova norma.

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FOTO: BRUNO SPADA/AGÊNCIA CÂMARA

Próximos passos no Senado

Apesar da ampla aprovação na Câmara, a PEC ainda precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e ser aprovada em dois turnos por pelo menos 49 senadores.

O Senado tende a apresentar maior resistência à proposta, especialmente devido à pressão de setores empresariais que apontam possíveis impactos sobre custos operacionais, contratações e preços.

Por outro lado, os defensores da PEC afirmam que a medida representa um avanço na qualidade de vida da população trabalhadora, ampliando o tempo de descanso, convivência familiar e redução do adoecimento relacionado ao excesso de trabalho.

O futuro da proposta agora dependerá da articulação política no Senado e da condução do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

Capa: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Com informações da Câmara dos Deputados/Notícias.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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