ESCOLA DA NATUREZA: MAIS 22 ANOS DE CONSCIÊNCIA SUSTENTÁVEL

ESCOLA DA NATUREZA: MAIS 22 ANOS DE CONSCIÊNCIA SUSTENTÁVEL

ESCOLA DA NATUREZA: MAIS 22 ANOS DE CONSCIÊNCIA SUSTENTÁVEL

 

Referência em educação ambiental, unidade no Parque da Cidade atende estudantes com atividades como plantio, reciclagem e estudos sobre a água e o Cerrado

Essa é comemorar mesmo. A Escola da Natureza completou, no dia 5 de junho, 22 anos de existência. Criada em 1996 com o objetivo de envolver a comunidade escolar da rede pública de ensino com as questões ambientais, a Escola da Natureza é o Centro de Referência em Educação Ambiental da Secretaria de Educação, vinculada à Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto. Nos últimos três anos vem recebendo estudantes da educação integral, dos anos finais, para desenvolver atividades ecopedagógicas.

É uma escola localizada em uma área de 5 mil metros quadrados de área verde no centro do Parque da Cidade e abriga várias tecnologias sociais, como banheiro seco (tecnologia ecológica para os dejetos), minhocário, diversas hortas, bacia de evapotranspiração – modelo sustentável para tratar do esgoto sem gastar água – e várias outras obras para dar suporte a esse trabalho.

Na Escola da Natureza, as ações são baseadas em cinco grandes temas e suas pluralidades: Cerrado, consumo consciente, crise hídrica, energia e biodiversidade.

A diretora da unidade, Renata Potolski Lafetá, ressalta que os ensinamentos são focados no respeito a todas as formas de vida, o agente transformador do olhar e das atitudes dos estudantes.

Escola da NaturezaÉ fundamental para a vida dos alunos entender como eles estão envolvidos com o meio ambiente para que eles consigam ser a transformação dentro de casa, do universo de cada um, além de se perceberem como cidadãos, seres vivos”, diz a diretora.

Segundo a equipe gestora da Escola da Natureza, os professores das escolas parceiras relatam que a aproximação com o tema da educação ambiental sensibilizou e mobilizou as escolas para novas práticas escolares, auxiliando as abordagens multidisciplinares. A aproximação também reforçou a importância das práticas coletivas, com maior participação no planejamento e execução das atividades.

A necessidade de ampliar o cuidado com o meio ambiente e com o outro é um dos preceitos trabalhados na Escola da Natureza. “Por isso mesmo trabalhamos fortemente a questão dos valores. Quando falamos em educação ambiental, falamos de vida, falamos de cuidado – isso implica cuidado com o planeta, com a escola, com os colegas, com a família e com as pessoas com as quais os estudantes convivem”, explica Renata Lafetá.

Escola da NaturezaReflexos – De acordo com diretora é bem perceptível a mudança que ocorre com os estudantes. “Notamos nessas escolas com as quais trabalhamos que há diminuição da violência dentro da unidade escolar, pois trabalhamos a questão da paz, de viver bem, de respeitar as diferenças. A natureza é um campo enorme para abordamos todas essas questões que vivemos no nosso dia a dia. Quando falamos de diferença, só de observar uma árvore vemos todos os seres vivos que ali habitam e fazem parte de um ecossistema único; todos são importantes ali, assim como os seres humanos. Somos diferentes, mas somos todos importantes na construção da nossa sociedade e nós temos um papel a cumprir”, enfatiza.

Desta forma, diz Renata, “damos uma ênfase muito grande à questão dos valores, do respeito e do cuidado. A Escola da Natureza prepara para a vida e a vida não pode esperar. Então, esta é uma escola que recebe todos os estudantes com amor no coração para que repassem esse amor para todas as pessoas com que eles convivem, para todos os seres vivos e para todo o ambiente”.

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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