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Anitta usa figurino feito por artesãs indigenas

Anitta usa figurino em homenagem à Cabocla Jurema feito por artesãs indígenas

Anitta se apresentou ontem (18/02/2023), no Carnaval de Olinda com um figurino inspirado nas mulheres guerreiras e homenageando a Cabocla Jurema. Confeccionado pelas artesãs Tentehar da aldeia Ypaw Myz’ym, na Terra Indígena Arariboia, o look foi desenvolvido em colaboração com a stylist Clara Lima.

Por Mídia Ninja

A ideia de desenvolver o look veio da própria Anitta como uma forma de homenagear a religiosidade afro-brasileira, que faz parte da sua espiritualidade e que também está atrelada ao Carnaval.

Ma’irTamakyxa, uma das artesãs responsáveis pela peça contou sobre o processo em suas redes “Foi assim: de forma muito simples, mas muito dedicada que produzimos essa peça incrível da Annita. Dia e noite as guerreiras @ihe_elisa e @marinaguajajara se esforçaram para entregar o melhor para a querida Annita.”

A parceria busca também visibilizar um dos traços mais fortes dos indígenas que é a veia artesã que resiste entre os povos. “Mais que um estímulo à nossa cultura e empreendedorismo a parceria é extremamente simbólica e marcará a história.”, conclui Ma’irTamakyxa.

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara (@guajajarasonia), também celebrou a homenagem que diz ser uma “forma de valorizar o trabalho das artesãs, das artistas indígenas”. A peça foi feita aos moldes Guajajara, com a padronagem especial da festa do mel usando com miçangas e titircas “É moda, é arte, é cultura e é isso que a gente precisa, de pessoas que valorizem também esses diversos modos de vida e essa diversidade que é o nosso Brasil”.

Em suas redes Anitta contou sobre a escolha do figurino. “Esse look em homenagem à Jurema me enche de orgulho, porque a história dela fala muito sobre força. Sempre sonhei em homenageá-la de alguma forma. Fazer isso no Carnaval é muito especial para mim!”.

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Artesãs indígenas desenvolveram peça especial para Anitta usar no carnaval. Disponível em: Mídia Ninja.

Mídia Ninja – Rede de comunicação livre. Fotos disponíveis na matéria: Midianinja.org.


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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