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Brasil: 1 dos 3 países que mais avançaram em garantir água para todos

Brasil está entre os 3 países que mais avançaram em meta de garantir água e saneamento para todos, diz ONU

A ONU Água, iniciativa da ONU que, entre outras atividades, monitora os avanços dos países em relação ao atingimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6, que visa garantir acesso à água potável e ao saneamento básico para todas as pessoas do mundo até 2030, divulgou relatório que aponta as nações que melhor performaram no tema desde 2015, quando os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável foram estabelecidos pela ONU.

Por Débora Spitzcovsky/TheGreenestPost

O Brasil aparece no top 3 do ranking, ao lado de Gana e Cingapura. Segundo o documento, nosso país aumentou em 8 pontos percentuais a qualidade de seus cursos d’água entre os anos de 2017 e 2020, além de construir 900 novas estações de tratamento de águas residuais, aproximando-se cada vez mais da meta de garantir acesso à água potável e ao saneamento básico a toda a sua população.

Os detalhes sobre os projetos implementados serão apresentados ao mundo todo, em julho, durante o Fórum Político de Alto Nível da ONU, “a fim de informar e inspirar com exemplos reais, concisos e acessíveis outros países do globo a respeito da importância do progresso acelerado do setor“, diz o documento.

Em entrevista à ONU News, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente do Brasil, João Paulo Capobianco, afirmou que o reconhecimento aumenta a responsabilidade do nosso país em contribuir para o desafio global do acesso à água potável e ao saneamento básico e que o governo possui plano de ação que vai investir em políticas públicas que promovam inovação no setor para garantir que, até 2033, 99% dos brasileiros tenham acesso à água e 90% tenham acesso ao saneamento básico.

Assista, abaixo, ao pronunciamento dele sobre o assunto.

Fonte: The Greenest Post . Foto: Unicef/Fani Llaurado/Reprodução ONU News. Este artigo não representa a opinião da Revista e é de responsabilidade do autor.


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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