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Coronavírus: O povo tem mais juízo

Coronavírus: O povo tem mais juízo

Coronavírus: 64% não confiam em Bolsonaro; 84% aprovam isolamento

Por Redação do vermelho

Levantamento mostrou ainda que 70% da população aprova a atuação dos governadores.

Um total de 64% dos brasileiros não confia em Jair Bolsonaro para lidar com a crise do novo coronavírus, a doença Covid-19. É o que mostra pesquisa encomendada pelo Valor Econômico à consultoria Travessia Estratégia.

O levantamento mostrou também que 50% desaprovam a atuação de Bolsonaro na crise da Covid-19 e 28% aprovam. O índice de desaprovação é maior entre mulheres, 55%, ficando em 45% para os homens. A pesquisa indica ainda que o presidente tem maior apoio entre os evangélicos.

Entre os que declararam pertencer ao grupo, que ajudou a eleger o presidente em 2018, 37% aprovam sua atuação na crise e 35% desaprovam. Os números mudam bastante entre católicos: 50% desaprovam e 28% aprovam as ações de Bolsonaro.

Apoio a governadores

Além da falta de confiança em Bolsonaro, a pesquisa mostrou alto índice de aprovação à atuação dos governadores e apoio às medidas de isolamento social criticadas pelo presidente da República.

Questionados se aprovam a ação dos governadores no combate ao vírus, 70% responderam que sim e 19% que desaprovam. Um total de 11% disse não saber avaliar.

Perguntados se concordam com as medidas de proibir aulas, aglomerações e recomendar o toque de recolher, 84% disseram concordar e apenas 12% discordar.

A pesquisa ouviu mil pessoas por telefone em todo o território nacional, em 20 e 21 de março. A margem de erro dos resultados é 3%.

Fonte: vermelho.org.br

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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