CURTA PARAIBANO CONCORRE EM FESTIVAL DE CINEMA

CURTA PARAIBANO CONCORRE EM FESTIVAL DE CINEMA

Curta paraibano concorre em festival de cinema

O Curta paraibano sobre ‘cura gay’ concorre em festival internacional de cinema em direitos humanos

Da Redação de Paraíba

O curta paraibano “Cura-me”, escrito e dirigido pelo Procurador Eduardo Varandas, concorre ao prêmio de melhor no filme no “Human Rights Film Festival Brazil” (Janeiro 7-17).  O filme foi lançando no 15º Fest Araruda e ganhou, na mostra sob o céu o nordestino, os prêmios de melhor roteiro (do próprio Varandas) e melhor atriz (Ingrid Trigueiro).

O “Human Rights Film Festival Brazil” tem o apoio da ONU, UNESCO, Save the Children e UNAIDS e visa a premiar e divulgar produções audiovisuais que colaborem na luta pela proteção dos direitos humanos. Na edição deste ano, concorrem filmes da Alemanha, Dinamarca, Irã, Turquia, Canadá, Grécia, Filipinas, Gana, Afeganistão, e outros países. Além do paraibano “Cura-me”, participa também o filme brasileiro “Jadzia” estrelado pela atriz global Laura Cardoso.

Produzido pela Castanhola Filmes, a obra “Cura-me” não contou com patrocínio público ou privado. “Preferimos fazer o que se chama de cinema guerrilha, reunimos uma boa equipe com vontade de fazer arte pela arte, e fomos em frente”, pontuou Varandas.

A estória do filme, baseada em três casos reais, conta os percalços do jovem e atormentado “Mateus” (Micaell Wouglle) que busca a psicóloga religiosa “Heleonora” (Ingrid Trigueiro) para a suposta cura de sua homossexualidade.

“A temática do curta é bem atual, haja vista que, ainda em 2017, fora concedida liminar, pela Justiça Federal, permitindo que psicólogos aplicassem terapias de redefinição sexual, proibidas pelo Conselho Federal de Psicologia. Mesmo cassada a decisão, temos ciência de utilização dessas técnicas por alguns profissionais que sobrepõem a sua religião sobre a ciência e causam grandes danos psíquicos aos pacientes, inclusive o suicídio.”, justificou o diretor.

A importância da discussão do tema

Desde 2016, o Grupo Gay da Bahia (GGB) inclui o suicídio (tema abordado pelo filme) em seu levantamento de mortes de LGBTs. Naquele ano, foram 26 registros, contra 100 casos em 2018, um aumento de 284% no período.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o suicídio é a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil (a faixa etária do personagem do filme). O público LGBT tem seis vezes mais chance de cometer o ato, de acordo com a revista científica americana “Pediatrics”. Ainda para a publicação, o risco de suicídio é 21,5% maior quando LGBTs convivem em ambientes hostis à sua orientação sexual ou identidade de gênero.

A causa desses altos índices decorre, dentre outros fatores, da autorrejeição, da dificuldade de integração social e de outros traumas sofridos e, nesse ponto, o filme pontua a gravidade das terapias de cura de homossexualidade através de métodos cruéis.

O filme, traduzido em inglês para “Heal me” pode ser assistido gratuitamente no sítio do festival: http://www.festival.com/ . No mesmo site, você pode votar no seu filme predileto.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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