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Desmatamento mata. Garimpo mata

Desmatamento mata. Garimpo mata

O desmatamento tem crescido em todos os cantos do planeta e pode-se ver o impacto que o desmatamento e garimpo ilegal têm causado nas mudanças climáticas. Alguns países já adotaram práticas menos nocivas ao meio ambiente, porém muitos ainda resistem a essas ideias. Além de que, as pessoas que mais sofrem nesse processo de destruição são os indígenas e os povos e comunidades tradicionais (PCTs). 

Por Maria Letícia Marques

Infelizmente, quem mais sofre atualmente com os impactos ambientais são os povos e comunidades tradicionais e indígenas. Essas pessoas sofrem racismo socioambiental severo. A floresta é uma de suas raízes e sua cultura é intrínseca a ela. O garimpo e desmatamento ferem sua cultura, seu sustento e sua vida. Os danos desses fenômenos criminosos vão reverberar no mundo todo.

No Brasil, o cenário é ainda pior. O país “cuida” da maior floresta tropical do mundo, dona de uma das maiores bacias hidrográficas, mais conhecida por possuir rios voadores. De acordo com a Funbio, cerca de 70% das chuvas no Brasil tem influência da floresta amazônica.

Disponível em:  Funbio.org. 

Pela ótica biológica, as árvores retiram da atmosfera o gás carbônico através da fotossíntese, além disso, liberam o gás oxigênio, que é vital para a respiração dos seres vivos que possuem respiração aeróbica. 

A importância da Amazônia é pouco difundida até para os próprios brasileiros, além da sua exuberância verde, há pessoas que vivem nela, e que gritam por ajuda a décadas. O desmatamento é uma das causas que gera sofrimento aos povos da floresta, ele provoca um desequilíbrio ao planeta, colabora diretamente com o aquecimento global. O qual será iminente, caso a humanidade continue exercendo suas práticas industriais abusivas e a exploração descabida dos recursos naturais. 

Outrossim, outra prática criminosa e perigosa ao meio ambiente é o garimpo ilegal. Essa ação gera a degradação acelerada do solo, contaminação dos rios, que por sua vez envenenam com mercúrio os povos que vivem nesses locais de exploração.

As queimadas, o desmatamento, o garimpo ilegal, são as principais práticas criminosas que afetam o planeta e os povos que moram na região. É incabível que essa situação continue acontecendo. Chegamos mais uma vez a um ponto da história onde mudanças precisam acontecer.

A grande luta agora é a busca pela regularização fundiária aos PCT’s e indígenas. A floresta precisa de verdadeiros guardiões. Porém os exploradores ilegais estão fazendo o papel de vilões. Mas os principais vilões dessa história são as grandes empresas por trás de toda essa violência ambiental e humana.

Quando devastam as florestas para produção da agropecuária, estão tirando esse potencial vital para o ciclo da vida que elas oferecem. Estão ferindo o próprio lar, comprometendo a vida de todos no planeta. O Brasil, felizmente, é um dos maiores países do mundo,  então não tem lógica desmatar justamente a floresta amazônica para criação de gado. Existem lugares mais propícios a isso. Se o mundo continuar caminhando rumo à destruição da natureza, sem ao menos pensar nas consequências ou alternativas mais viáveis, o aquecimento global chegará rapidamente ao seu ápice.

Mais ainda, o desmatamento está diretamente ligado ao poder industrial que a humanidade adquiriu, e isto está relacionado às políticas de preservação do meio ambiente, as quais deveriam existir e estarem em vigor em todos países. Se essas políticas não forem executadas, ou até mesmo se não existirem no país, o ecossistema estará em apuros. Portanto, seria essencial que existisse e fosse realmente cobrado das empresas medidas de preservação ambiental mais incisivas nos países.

As grandes empresas de produção em massa são as grandes responsáveis por essas atrocidades ambientais e desumanas. O mundo sempre passou por diversas revoluções onde a alta burguesia foi forçada a sair de sua zona de conforto e mudar, pois a população havia chegado a seu limite. Como sempre, o modo de vida humano deve mudar. Já existem diversas alternativas sustentáveis de produzir alimentos e criar gados. 

Há também projetos para reverter as mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável. Mas a terrível realidade é que: os magnatas vão demorar muito para “largar o osso”, afinal, está ruim para eles? Ou para nós? Eles continuam lucrando horrores, mudar a forma de fazer negócios e produzir significaria ficar menos rico. Eles não podem ficar menos ricos, então nós temos que ficar mais pobres, sofrendo as consequências das mudanças climáticas. 

Maria Letícia Marques – Colunista voluntária da Revista Xapuri. Este artigo não representa a opinião da Revista e é de responsabilidade da autora. Foto: Reprodução/Internet.

 


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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