Desmatamento no cerrado
Foto: Gustavo McNair via Flickr – CC
Foto: Gustavo McNair via Flickr – CC

Desmatamento no Cerrado em tempo real

Desmatamento no Cerrado em tempo real

Ferramenta permite monitorar desmatamento no cerrado em tempo real

Sistema oferece dados capazes de auxiliar criação de políticas públicas que reprimam destruição do bioma
Por Redação
 

 
 

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) pôs no ar uma ferramenta digital que permite a qualquer pessoa fiscalizar em tempo quase real a devastação do cerrado. Segundo maior bioma do País (24% do território), a savana brasileira já teve 46% da vegetação natural destruída, contra 20% da Amazônia. Para esclarecer os benefícios trazidos pelo dispositivo, o Jornal da USP no Ar conversou com o professor Ricardo Galvão, do Instituto de Física da USP e diretor do Inpe.
A função do sistema é produzir alertas diários de desmatamento para o Ibama verificar se a derrubada é legal e, se for o caso, processar os infratores. Porém, o especialista explica que o monitoramento dos dois biomas diferem. O INPE realiza um trabalho, há mais de 30 anos, de registro histórico do desmatamento da Amazônia; já no caso do cerrado, a visualização se torna mais complicada pela baixa vegetação, considerando como área desmatada quando ela atinge o tamanho de um hectare (10.000 m²).

Desmatamento no cerrado
Foto: Gustavo McNair via Flickr – CC

O professor explica que controlar o desmatamento na Amazônia não é tarefa fácil, pois demanda toda uma logística de transporte, inspeção e sigilo. Os desmatadores, segundo Galvão, devastavam grandes áreas florestais no início, rapidamente detectadas por satélites. Para escaparem do monitoramento, eles começaram a desmatar em forma de “espinha de peixe”, por meio de linhas com bifurcações que dificultavam o controle. Quanto ao cerrado, a atuação é mais prática por conta da ligação entre o desmatamento e a atividade agropecuária.
A partir dos dados coletados, é possível desenvolver estudos e políticas públicas capazes de frear o desmatamento, explica Galvão. Os dados são reconhecidos internacionalmente e estão disponíveis no site Projeto Monitoramento Cerrado, mas não são divulgados a todos imediatamente, apenas ao Ibama, a fim de manter o sigilo quanto às operações e impedir que os infratores mudem de área. O professor ainda ressalta que as ações contra o desmatamento dependem de apoio político, que muitas vezes ficam à mercê da visão do ocupante do cargo e não de um projeto de governo bem estabelecido, que evite a continuidade desse fenômeno.
Fonte: Jornal da USP


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