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EDUCAÇÃO QUILOMBOLA: UM ESTUDO SOBRE A FORMAÇÃO IDENTITÁRIA

Educação quilombola e sua formação identitária

Educação quilombola e sua formação identitária
Um Estudo Sobre a Formação Identitária de crianças e JOVENS NEGROS QUILOMBOLAS NO MUNICÍPIO DE CAVALCANTE, neste estudo, a autora procura compreender como a convivência e interações inter-raciais interferem na formação identitária de crianças e jovens oriundas de comunidades remanescentes de quilombos…
Por Lucilene dos Santos Rosa e outra
 
O objetivo deste estudo foi compreender como a convivência e interações inter-raciais interferem na formação identitária de crianças e jovens oriundas de comunidades remanescentes de quilombos que estudam na Escola Estadual Elias Jorge Cheim,
em Cavalcante. O intuito foi entender como acontecem e quais as questões étnico-raciais relevantes para a construção social em torno da negritude na escola pública pesquisada.
Quanto aos caminhos metodológicos adotados, foram realizadas entrevistas com estudantes matriculados e com frequência regular
em uma escola da zona urbana da cidade de Cavalcante, no estado de Goiás. Também foi considerada como metodologia do estudo uma revisão de literatura por meio de uma abordagem qualitativa, buscando em revistas científicas, livros e artigos publicados, em português, disponíveis on-line em bibliotecas virtuais tais como SciELO, LILACS, além das revistas em repositórios,
dentre outros. Foi feito também um estudo documental dos materiais didáticos e paradidáticos produzidos entre os anos de 1997 e 2017, para a apresentação de resultados analíticos e reflexivos sobre processos que envolvem a construção das identidades negras quilombolas positivadas de crianças e adolescentes quilombolas nas escolas da cidade.
 
O ambiente familiar tanto quanta instituição escolar, possui importância fundamental no desenvolvimento humano, pois além de ser o espaço para agregar conhecimento é também o primeiro contato social amplo que o indivíduo tem. Com o problema do racismo, do preconceito racial e da invisibilidade social da população negra no país, para o negro existe grande dificuldade ou até mesmo uma coerção para que se possa afirmar sua origem étnico-racial.
 
Uma das razões para tal infortúnios e estabelece em consequência da carência de informações positivas sobre o trajeto da história dos negros seja no Brasil ou no continente africano. A falta de uma história contada acerca do legado dos negros provoca ideações
negativas sobre a cultura afro-brasileira, trazendo graves consequência para a construção duma identidade negra para as crianças e os jovens. A partir deste pressuposto, o estudo realizado resultou neste artigo o qual buscou entender se há, e como se dá, a construção de uma consciência identitária de crianças e jovens quilombolas no ambiente escolar de uma escola da cidade de Cavalcante-GO. Buscamos também verificar se a escola exerce algum impacto na construção da autoestima dos estudantes quilombolas. Cavalcante, localizado na região Nordeste de Goiás, é o município onde está a maior população quilombola do Estado. Importante notar que Goiás possui o maior território quilombola do Brasil. Dos três municípios que abrigam esta população Cavalcante é o mais antigo e mais populoso. A rede pública de ensino em Cavalcante contempla escolas municipais e estaduais, na
zona urbana e rural.
 
Fonte: https://www.revista.ueg.br/index.php/temporisacao/article/view/9009/7223 – Onde você pode ler o artigo completo.
 
 
Lucilene Kalunga

Lucilene dos Santos Rosa, quilombola Kalunga, mulher negra, mãe, graduada em turismo e pós-graduada em história da cultura afro-brasileira. Integrante do Fórum Goiano de Mulheres; integrante do Grupo de Mulheres Negras Malunga; Conselheira do Conselho Estadual da Mulher; representante civil na Comissão Especial de Promoção da Igualdade Racial do IFG, ex Conselheira do Conselho Estadual de Igualdade Racial. Esteve Gerente de Comunidades Tradicionais e Projetos Intersetoriais no governo do Estado Goiás. Foi assessora da Comissão de Direitos Humanos e Coordenadora do Programa Parlamento Jovem na Câmara e Municipal de Goiânia.

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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