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Enfim, uma Frente Parlamentar Antirracismo!

Enfim, uma Frente Parlamentar Antirracismo! 

Coordenada pelo senador Paulo Paim e pela deputada federal Dandara Tonantzin,  o Congresso Nacional agora tem uma inédita Frente Nacional Antirracismo.  Frente será importante canal de atuação em proposições legislativas que busquem efetivar a igualdade racial. 

Da Redação do PT

Pela primeira vez na história da República, o Congresso Nacional terá uma frente parlamentar destinada exclusivamente para o combate ao racismo no Brasil. A iniciativa inédita terá a coordenação do senador Paulo Paim (PT-RS) e da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG).

“Estou aqui a quase 40 anos. São quatro mandatos como deputado federal e três como senador. E é a primeira vez que estamos instalando uma comissão mista de combate ao racismo. Graças a força dessa juventude que está chegando. É essa força que faz com que a gente tenha, hoje, esse ato lindo”, disse o senador durante o ato de instalação da Frente Parlamentar Mista Antirracismo.

“Em toda a história da República, está é a maior frente parlamentar mista já criada, com quase 150 parlamentares”, destacou o senador. O colegiado foi instalado contando com o apoio de 36 senadores e 111 deputados.

Na avaliação da deputada Dandara, a instalação da Frente Parlamentar é a prova de que o movimento negro e o atual governo estão no caminho certo e colocando a agenda antirracista como prioridade.

“Em todas as estatísticas, o povo negro está na base da pirâmide ou como alvo de violência. Que essa frente seja um espaço de aquilombamento no Congresso. Que a gente olhe para o lado e saibamos que não estamos sós”, enfatizou.

 
frente parlamentar mista antirracismo alessandodantas 4

Deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG), senador Paulo Paim (PT-RS) e deputada federal Carol Dartora (PT-PR) – Foto Alessandro Dantas/Blog do PT. 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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