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Guerra do Contestado: Proclamação atribuída a José Maria

Guerra do Contestado: Proclamação atribuída a José Maria

O senhor reunirá toda a irmandade para em meu nome, uma forma geral, e fazer verem tenham todos saido fora da guia que eu como verdadeiro pae desse povo, que tem sido robados  nos seus interesses e nos seus direitos, por isso que até aqui em lugar de serem felizes estam sendo castigados todos os dias e são tão cegos que mesmo castigados pelas formas mais dura como tem sido parecem não acreditarem. Que bom seria que todos cumprissem as ordens porque então estariam já coberto com o devino pano da bandeira de misericórdia.

Guiará pela forma que lhe expliquei o modo como ade formar para forma simples e para forma de pulcissão e para forma de sahida de piquete. Não esquecerão que nos lugares das forma é necessário que prantem um cruzeiro e ensinará o modo de reconselvarem com todo o respeito e asseio nas formas dentro do acampamento. Quanto me doe dentro do coração ver nos acampamentos não tem 10% de irmão que trazem da boa fé, como deve ser, que rezem de boa vontade, que forme com respeito, que não se importem com a vida alheia e que procedão bem, que amem seus irmãos como a si proprio, que não pensem para o lado do roubo e da malvadez. Enfim que não façam tudo ao contrario do que deve ser.

Os comandantes que tratem todos com delicadeza como fas um bom pae com seu filho, mas que nem por isso deixem de usar todas as enelgia porque se na hora precisa deixarem de retalharem ou castigarem ou exemplar seu irmão, que abuse da sua vontade e boafé, seria indigno de pertencer a bondosa religião de Deus.

Precisa que a Irmandade saibam que esta guerra santa é guiada pela minha vontade não é a Guerra de S. Sebastião. A qual ainda falta muitos anos para começar. Esta é a guerra que eu falava a 30 anos passados da liquidação dos limites dos Estados de Santa Catarina e Paraná. Como sabem, todos aqueles que tiverem a felicidade de convelsar comigo, que sempre disse que havia de vencer Sta. Catarina pelo motivo seguinte:

  • porque tem o nome de uma Santa muito milagrosa e protegida de S. Sebastião;
  • porque sendo menor em terras não se pode e nem se deve tirar de quem tem menos para dar ao mais rico que este é o ponto principal da religião de Deus;
  • porque foi no tempo da revorta para o de Sta Catarina que eu mandei a irmandade como ajutorio desta santa; era o único lugar onde a irmandade acharam sucego e agasalhos;
  • porque é onde se acha situado o divino e encantado serro, que se chama Taió, que eu pretendo repartir com todos os irmão que, até aqui, tem trabalhado com fé e coragem e com resignação;
  • porque é, enfim, o unico lugar onde a irmandade poderá escapar quando começar a falada guerra de S. Sebastião e quem morar neste Estado ficará livre das pestes e mais castigos horríveis que Deus mandará contra os ereges. Espero tão bem a restauração da monalquia, que já não veio devido as faltas e os pecados dos irmãos e fica revogada para vorta de Dão Luiz de Bragança, que foi a Jerusalem ao santo sepulcro visitar os sinais da ressurreição de Jesus Cristo.

Esta vorta será o mais tardar de 6 anos e o mais longe 4, e até lá eu procurarei um meio para os que forem da minha fé, para um e outro, a renovação da religião católica.

Quais, como todos sabem que ella só chaio com a vinda Republica porque desligaram a Santa Egreja Madre do Estado. Está entendido que com a restauração da monalquia ella ficará de pé sem trabalho e sacrifício de sangue e vida. 

Farei a bem dos irmãos e para que os contrario reconhecam que não há o que possa com os poderes de Deus. Ellos procurarão a irmandade e pedirão um acordo e misericordia.  Quando chegar esse dia previno os irmãos e aos comandantes que botarei um homem para esse fim guiado por mim que fará tudo que a irmandade quizer e precizar.

Ficam os que forem da minha fé sujeito as ordem que o meu encarregado fizer. Assim como os irmãos que se acham pelos campos seguirem imediatamente para a malgem esquerda do rio Canoinhas, aonde se conselvarão até receberem ordem e não continuarão sem utilidade.

Na salida os piquetes rezarão a seguinte Oração (segue-se uma longa oração).

Jean Claude Bernardet, em Guerra Camponesa no Contestado, Global Editora, 1979, citando:  O Estado – Florianópolis – 04/11/1915 – transcrito por Teixeira Monteiro/Os errantes do Novo Século. Capa: Município de Irani. 


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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