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Janja: a amada de Lula

Janja: a amada de Lula

Janja: a amada de Lula

Ver Janja lado a lado, marcando presença amorosa na vida de Lula trouxe, pra nós militantes, um sopro inusitado de alegria e de esperança…

Por Zezé Weiss

Ver Janja extrovertida, dançando e cantando nos atos de campanha ou dando notícias nas redes sociais dos dias felizes com seu amado, deu ao a certeza de que Lula encontrou, no amor de Janja, o seu porto seguro.

Ver Janja, socióloga e feminista engajada, colocando em pauta a defesa de direitos – das chamadas minorias, dos animais, das pessoas em situação de rua, da equidade de gênero, da e do , não tem preço.

Mas o bonito mesmo é ver Janja, militante filiada ao PT desde 1983, quando tinha 17 anos, beijar o Lula em público, limpar o suor do rosto dele, passar as páginas do discurso de vitória do presidente-eleito e, ainda assim, manter seu espaço político de militante engajada, compromissada com esse outro mundo possível, que acreditamos ainda ser possível. 

Vai ser lindo ver Janja em Brasília, revirando os costumes da caretice do poder, abrindo espaço para que mais mulheres se sintam empoderadas e colocando todo o seu poder de sedução para alavancar causas inadiáveis, como tirar o Brasil de novo do mapa da fome.

Boas-vindas a Brasília para Janja, a amada do Lula! 

Zezé Weiss – Jornalista Socioambiental. Editora da .

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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