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MEC inicia consulta sobre reforma do ensino médio

MEC inicia consulta pública sobre a reforma do ensino médio

Interessados tem até o dia 6 de julho. O objetivo é ouvir contribuições da comunidade escolar.

Por Portal Vermelho

O Ministério da (MEC) anunciou nesta quinta (15) o início da consulta pública virtual sobre a reestruturação do ensino médio. A consulta fica aberta durante 21 dias, até 6 de julho.

Segundo a pasta, o objetivo é ouvir as contribuições do maior número possível de professores, estudantes e gestores das escolas para a melhoria desta etapa do ensino. “O MEC espera obter insights valiosos que contribuam para a construção de uma política educacional mais adequada às necessidades e expectativas da comunidade escolar”, disse o ministério em comunicado.

A consulta online é aplicada pelo Pesquizap, um chatbot de Whatsapp que coleta e mensura os resultados da pesquisa.

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Reprodução/Portal Vermelho

Os participantes poderão responder às questões da consulta por meio do celular, computador, um código QR ou um link disponibilizado pelas escolas. Basta entrar em contato no número (11) 97715-4092 para responder pelo celular.

Além disso, a divulgação terá o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) visando alcançar o maior número possível de escolas participantes.

Suspensão do NEM

O Ministério da Educação (MEC), em abril, suspendeu por 90 dias o cronograma de implantação do Novo Ensino Médio (NEM) – um dos retrocessos do governo Michel Temer (MDB).

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Reprodução/Portal Vermelho

A comunidade escolar vem se mobilizando pela revogação do NEM. Aprovada por meio de uma medida provisória, a reforma retira da grade curricular horas-aula de disciplinas básicas para incluir matérias teoricamente ligadas aos interesses dos alunos. O novo modelo é obrigatório tanto em escolas públicas quanto privadas.

Segundo organizações estudantis em luta, a prática vem sendo construída de forma errada pelos estados, que focam apenas em matérias de empreendedorismo de baixa complexidade. Entre diversos problemas, como a falta de professores, os alunos das escolas públicas não conseguem cumprir o currículo exigido no ENEM e outros vestibulares.

Fonte: Portal Vermelho      Capa: Reprodução/UBES


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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