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MMA divulga lista de novos membros do Conselho Nacional do Meio Ambiente

MMA divulga lista de novos membros do Conselho Nacional do Meio Ambiente

Nomes dos 114 titulares e seus suplentes foram publicados nesta segunda-feira. Apenas 75 das 673 entidades ambientais brasileiras participaram das eleições.

Por Cristiane Prizibisczki/ O Eco 

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) divulgou nesta segunda-feira (8) a lista dos novos membros do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional de Meio Ambiente.

São 114 integrantes, entre representantes de governos nas esferas municipal, estadual e federal, representantes de setores econômicos e da sociedade civil, além de indicações feitas pela União e pelo Congresso.

O número de representantes no Conselho é recorde. Na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o órgão chegou a ter o número de membros reduzido de 96 para 23 e, antes da chegada de Lula ao Palácio do Planalto, estava com 36 integrantes.

Elitização do Conselho

Segundo o governo federal, além da inserção de representantes da comunidade indígena e populações tradicionais, a nova formação do Conselho, agora mais robusta, preza pela diversidade de raça e gênero entre seus membros.

O resultado das eleições, no entanto, não agradou as entidades da sociedade civil brasileiras ligadas ao meio ambiente. Apesar dos pedidos feitos por elas, o governo não aumentou o prazo do processo eleitoral, prejudicando a participação das entidades menores e menos estruturadas.

Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (PROAM), apenas 75 das 673 entidades cadastradas no país puderam votar.

“Como consequência, ocorreu um processo esvaziado, com prevalência de entidades mais estruturadas, provocando a elitização da representação, com segregação das entidades menores que não estão envolvidas em atividades econômicas, mas são as que mais exercem controle social em seus territórios”, disse a ((o))eco Carlos Bocuhy, presidente do PROAM.

Segundo ele, o processo precisa de revisão, com o estabelecimento de regras pelo próprio segmento ambientalista, como ocorria antes de 2019.

Cristiane Prizibisczki – Jornalista. Fonte: O Eco. Foto: Ministério do Meio Ambiente. Este artigo não representa a opinião da Revista e é de responsabilidade do autor.

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revista 115

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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