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“Não consigo respirar”: 1 ano sem George Floyd

“Não consigo respirar”:  Há 1 ano, a morte de George Floyd parava o mundo. A ação policial exagerada de Derek Chauvin resultou em um grande movimento pelas vidas negras ao redor do mundo…

Por Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Linco Lins/Aventuras na História

Enquanto saía de um estabelecimento, Darnella Frazier se surpreendeu com uma ação policial e, de maneira ágil, sacou seu smartphone e iniciou uma gravação; era um militar branco, identificado como Derek Chauvin, ajoelhado no pescoço de George Floyd durante sete minutos.

As imagens, registradas em 25 de maio de 2020, seriam mais um infeliz marco na história americana; deitado na rua, o detido repete diversas vezes que não conseguia respirar, com as vias aéreas prensadas contra o asfalto no meio-fio, que sangram.

Além de estar com as vestimentas rasgadas e com testemunhas notificando a perda da consciência de Floyd, o homem implorava pela vida: “Não me mate”. Ao fim da filmagem, já não esboça reação — mas continua sendo pressionado pelo joelho do oficial.

Grupo protesta em frente a desenho de George Floyd
Grupo protesta em frente a desenho de George Floyd – Getty Images
george floyd protesto 1
Ativista presta homenagem a grafite contendo imagem de George Floyd / Crédito: Getty Images

O que aconteceu?

Após a morte do detido, uma onda de protestos nomeada como “Black Lives Matter” (“Vidas negras importam”, em tradução livre) foi capaz de derrubar estátuas de escravistas e figuras que promoveram a eugenia — além de pressionar autoridades para o julgamento dos policiais envolvidos. 

Derek Chauvin, que realizou a ação fatal, foi expulso da corporação logo após o caso, sendo denunciado pelo Estado. Em júri popular do tribunal distrital de Mineápolis, foi considerado culpado pelo assassinato — porém, sua sentença só será divulgada em 16 de junho de 2021, podendo totalizar até 40 anos de regime fechado.

Por fim, o oficial não fez questão de depor durante os julgamentos, não apontando o motivo da ação abrupta. A polícia local, por sua vez, não apresentou associação de George com o suposto chamado de transação com nota falsa, injustificando a ação exagerada.

Fonte: aventurasnahistoria

derek chauvin foi preso apos fim do julgamento
O ex-policial Derek Chauvin em foto na prisão / Crédito: Divulgação/The Minessota Department of Corrections

 


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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