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O homem mais poderoso do Brasil

O homem mais poderoso do Brasil

O homem mais poderoso do país é aquele que não precisa de um cargo para ser poderoso. É aquele que tem poder mesmo quando não está no poder. É aquele que todos querem derrubar, mas não conseguem”, afirma; seu nome: Luiz Inácio Lula da Silva.

Por Alex Solnik/Brasil 247

O homem mais poderoso do país não é o dono da maior rede de TV. Senão, seria João Roberto Marinho. Mas se o sinal for apagado por alguém mais poderoso, seu poder acaba.

O homem mais poderoso do país não é o que está sentado na cadeira de presidente da República. Senão, seria Michel Temer, mas ele não tem votos nem para ser síndico de prédio.

O homem mais poderoso do país não é o mais temido. Senão, seria Sérgio Moro. Mas quando acabar a Lava Jato seu poder será nenhum.

O homem mais poderoso do país não é o mais esperto. Senão, seria Eduardo Cunha. Mas quando seus recursos terminarem ficará sem poder.

O homem mais poderoso do país é aquele que não precisa de um cargo para ser poderoso.

Não precisa de uma conta bancária para ser poderoso.

É aquele que todos querem derrubar, mas não conseguem.

É aquele que ninguém tem coragem de delatar.

É aquele que ninguém tem coragem de prender.

Há 16 anos, o homem mais poderoso do Brasil é Lula.

Sarney foi presidente por quatro anos; saiu pela porta dos fundos.

Collor governou por dois anos; foi enxotado.

Fernando Henrique governou por oito anos, mas não fez o sucessor.

O poder deles se esvaiu assim que deixaram a presidência.

Lula governou por oito anos, reelegeu sua sucessora, que também se reelegeu e que caiu porque não o ouviu.

Lula é o único brasileiro que pode se eleger, a qualquer momento, no cargo que quiser: vereador, prefeito, deputado, governador, senador, presidente da República.

Em qualquer cidade ou estado do país.

Ele não depende de nada fora dele para ter poder. Seu poder é pessoal e intransferível.

Lula é tão poderoso que, mesmo se for preso, continuará sendo o homem mais poderoso do país.

Lula é tão poderoso que, mesmo depois de morto continuará sendo o homem mais poderoso do país.

Ninguém, depois de Dom Pedro I e Dom Pedro II foi tão poderoso quanto Getúlio.

Ninguém, depois de Getúlio foi tão poderoso quanto Lula.

*Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais “Porque não deu certo”, “O Cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão” e “O domador de sonhos”

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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