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O Lula está errando cada vez melhor!

O Lula está errando cada vez melhor!

O Lula está errando cada vez melhor!

De acordo com o Datafolha, Lula cresceu desde março oito pontos na pesquisa espontânea, de 30% para 38%; viu sua rejeição cair de 37% para 33%; e parece ir consolidando a perspectiva de ganhar as eleições no primeiro turno, agora com 54% dos votos válidos…

Por Antônio Carlos Queiroz (ACQ)

De março para cá, o Cara (”the Guy”, em inglês) fez uma jogada de mestre ao emplacar o Geraldo Chuchu Alckmin como vice, ao som da Internacional e tudo no XV Congresso do PSB; prometeu revogar a reforma trabalhista “do tempo da escravidão”; disse clara e francamente o que pensa do aborto e da guerra na Ucrânia, e por aí foi.

Certos analistas políticos, que se consideram mais brilhantes que os raios do Sol “nas bancas de revista” (Ai que preguiça!), continuam no entanto escrevendo que o Lula errou feio nessas declarações “infelizes”, “desastradas”, “inadequadas” ou “desnecessárias”.

Eu tenho opinião oposta. Acho que o Cara andou lendo o Worstward Ho do Samuel Beckett, com o famoso trecho tão citado para ilustrar atitudes de firmeza, teimosia, resistência, superação, resiliência e perseverança:

Ever tried. Ever failed.
No matter. Try again.
Fail again. Fail better.

Algo assim como:

Sempre tentou. Sempre errou.
Não importa. Tente de novo.
Erre de novo. Erre melhor.

O Lula está errando cada vez melhor, vocês também não acham, não?

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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