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O que comemorar na Semana do Meio Ambiente?

O que comemorar na Semana do Meio Ambiente?

Por Rodrigo Berté

O Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado neste 5 de junho e começo este artigo fazendo uma pergunta a todos que o estiverem lendo: o que temos a comemorar nesta data? Precisamos fazer várias reflexões, pensando no planeta que queremos para o presente e para o futuro.

Relembro o artigo 225 da Constituição Brasileira, em uma de suas frases “defendê-lo e preservá-lo, o meio ambiente, para as presentes e as futuras gerações”, e percebo que pouco ou quase nada no país está sendo feito para cumprir com essas palavras.

Grandes grupos estão licenciando áreas para empresas petrolíferas na costa do Amapá, onde há um verdadeiro santuário de vida marinha. Na cidade de Mariana e no Distrito de Bento Rodrigues, ambos em Minas Gerais, ainda são esperadas indenizações e recuperação ambiental depois do acidente da Samarco. As populações indígenas, algumas desconhecidas para os estudos etno-ecológicos, vêm sendo massacradas na Amazônia pelo garimpo ilegal. Há ainda a grande carga de esgoto nos rios e nos oceanos, além do lixo e sua destinação inadequada nos lixões a céu aberto, provocando inúmeras doenças a população em especial às crianças, futuras gerações.

Parece o caos, mas, por outro lado, vemos gestos que podem mudar o mundo e projetos sendo realizados por pesquisadores brasileiros para melhorar o mundo à nossa volta, como a busca soluções para o destino adequado do lixo e plantas que produzem energia. As crianças, nossa geração futura, estão aplicando práticas de educação ambiental, preocupadas com o planeta. Um dia cheguei para uma criança de uma escola pública, onde realizo trabalhos de educação ambiental e perguntei: O que você quer ser quando crescer? E ela me respondeu: quero ser uma bióloga. E perguntei: porque você quer ser uma bióloga? E ela respondeu: Porque eu quero salvar o planeta!

Ainda há esperança. E, ficam duas perguntas nesta importante Semana Nacional do Meio Ambiente: qual legado você quer deixar para as próximas gerações? Que tipo de planeta você está construindo para os seus filhos e netos?

ANOTE AÍ:

Rodrigo Berté – Diretor da Escola Superior de Saúde, Biociências, Meio Ambiente e Humanidades do Centro Universitário Internacional Uninter.

Matéria gentilmente cedida pela:

SeloPg1

Artur Lira
emailartur@pg1com.com
telefone 41 3018-3377
sitewww.pg1com.com

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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