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Pandemia muda forma de comemorar o Dia dos Namorados

Pandemia muda forma de comemorar o Dia dos Namorados

De acordo com pesquisa do Google, 22% pretendem comprar presentes para a data e 43% farão isso on-line

Para entender os impactos da pandemia de COVID-19 sobre o Dia dos Namorados, que acontece no próximo dia 12 de junho, o Google realizou uma pesquisa on-line com 800 brasileiros entre os dias 18 a 20 de maio. Os resultados mostram que o distanciamento social vai mudar a forma de celebrar a data para 63% dos brasileiros em 2020.

Quando perguntados sobre o que mudará na celebração de Dia dos Namorados, 35% afirmam que pretendem fazer algo juntos em casa e 20% vão preparar um jantar. Deixar de ir a restaurantes (25%) cancelar planos de viagens (22%) e adiar a celebração da data (12%) também foram algumas das mudanças declaradas.
 
Com a data acontecendo mais dentro de casa do que em anos anteriores, o interesse por categorias de produtos relacionadas a esse tipo de comemoração aumenta conforme o dia dos namorados se aproxima. As principais compras para a ocasião são roupas, calçados e acessórios (25%), flores e cartões (24%). alimentos para as refeições (23%) e produtos de beleza e perfumaria (18%).
Apesar do contexto, a intenção de presentear permanece. O costume de presentear na data em outros anos foi declarado por 20% dos entrevistados, e para 2020, 22% disseram ter intenção de comprar presentes (56% declarou que não ia comprar e 21% não sabia ainda).
 
A forma de compra do presente também sofrerá mudanças devido à evolução do Coronavírus no Brasil, 43% dos entrevistados declararam que irão comprar on-line – o que requer adaptações no presente também: 25% irá mudar para produtos mais fáceis de comprar online e 23% para produtos que minimizem a necessidade de troca. Entre as mudanças no processo de compra também estão: de comércio pequeno/ próximo (23%), com mais antecedência (16%), depois da quarentena (12%), em cima da hora (9%) e de revendedores/ catálogos (9%).
 
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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