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Parem Os Ataques Às Terras Indígenas

Parem Os Ataques Às Terras Indígenas

Aldeia Piaraçu sofre atentado

Associação Alternativa Terrazul repudia os ataques ocorrido na Aldeia Piaraçu no território indígena do Xingu. Prestamos solidariedade ao povo Kayapó nesses dias tão difíceis no seu território. Não podemos tolerar violência nas terras desses povos guerreiros que contribuem para a valorização socioambiental e para o cotidiano da história brasileira.

Em meio ao caos imposto pela pandemia da Covid-19, atentados e ameaças a integridade física dos territórios e povos indígenas são episódios frequentes em nosso país.

Na noite de 24 de agosto, foi a vez da aldeia Piaraçu sofreu um ataque. Dois indivíduos armados, em uma caminhonete Hillux de cor preta, por volta das 19:00h, destruíram a barreira sanitária construída pelos próprios indígenas para manter o isolamento social dos 2.423 Mebengokrê nesse período de pandemia.

A dead alligator on the banks of the Xingu River, amazon - BrazilApós destruírem a barreira, os indivíduos efetuaram 29 disparos e invadiram a terra indígena Capoto/Jarina, seguindo até a aldeia Piaraçu, colocando em risco a vida dos 327 Kayapó que lá vivem. Em seguida, partiram em alta velocidade rumo à cidade de São José do Xingu. Apesar da apreensão da comunidade, ninguém ficou ferido no ataque.

As lideranças da aldeia Piaraçu acionaram a polícia, que foi até o local da ocorrência dos fatos. Um Boletim de Ocorrência foi registrado e os suspeitos estão sendo investigados.
De imediato, os indígenas estão mantendo distância da entrada do território para que não sejam surpreendidos por um novo ataque.

Fonte: repost @institutoraoni

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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