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Phenex – a que ressurge das cinzas

Phenex – a que ressurge das cinzas – o mito e a magia do renascer

Iêda Vilas-Bôas e Reinaldo Bueno Filho

Phenex ou Fênix representa a imortalidade e os ciclos da natureza. O mito retrata a superação da vida sobre a morte. Conta-se que, quando a ave sentia que ia morrer, montava um ninho com incenso e outras ervas aromáticas, ali se deitava e esperava ser consumida, queimada, incinerada pelos raios do Sol. Das cinzas, nascia um ovo que, pelo calor do próprio sol, faria eclodir uma nova Fênix. Magicamente, de suas cinzas, nasceria uma nova ave.

Os antigos egípcios consideravam a Fênix como a própria alma de Rá, o deus Sol. Os russos a conheciam como Pássaro de Fogo, por acreditar que ela estava constantemente em chamas. Segundo a crença, essa ave poderia viver mais de mil anos e durante todo esse período ela reinava plena e absoluta e única.

Dizem que se assemelhava ao que hoje conhecemos como uma cegonha, ou um flamingo. A Fênix era uma ave maior que a águia, cujas penas poderiam variar entre as cores azuis, roxas, douradas, brancas e vermelhas, e sua plumagem dava sorte e prosperidade a quem a avistasse. Alguns especularam que ela viveria mais de 90 mil anos, enquanto outros estimaram que sua vida durasse em torno de 500 anos.

Esse mito transcorreu barreiras geográficas e foi incorporado por outras culturas, como a greco-romana, e algumas civilizações do Novo Mundo também acreditavam e louvavam a Grande Fênix. Em Alta Magia, temos um espírito, um Djin que é invocado pelo nome de Phenex, este daemon ensina todas as ciências liberais e maravilhosas, e é um excelente poeta. Deve o mago ser experiente para não ser iludido pela sua doce e voluptuosa voz.

A ave é uma metáfora acerca de sabedoria, resiliência, do caráter ideal. Durante o Império Romano, chegou a estampar algumas de suas moedas. Com o surgimento do cristianismo, ela passou a representar a ideia de ressurreição e de vida após a morte. Simboliza a imortalidade, os ciclos naturais de vida e morte, o renascimento e, até mesmo, a existência de uma vida post-mortem.

Sem dúvida, o mito trata de persistência, de transformação, de recomeço e, principalmente, de esperança – algo bom irá surgir.

Muito foi dito acerca da Fênix pelo rodar das horas e caminhar do tempo: Há relatos de que a ela possuía um canto muito doce e suave, que ganhava tons de grande melancolia e tristeza quando ela sentia a proximidade de seu fim. E que os outros animais eram influenciados por sua tristeza. Muitos morriam junto com ela.

Também se acreditava que as cinzas da Fênix tinham o poder de ressuscitar alguém que já tivesse falecido.

Fênix está relacionada à ave Bennu, que representa a estrela Sótis, uma estrela flamejante de cinco pontas. Em todo o planeta, independente da , o significado permanece o mesmo: imortalidade.

Para os gregos, a ave se liga ao deus Hermes e há referências disso em diversos templos.

Existem relatos de que possuía uma força sobrenatural, que lhe permitia carregar fardos excessivamente pesados.

Na China, a Fênix é vista como uma bela ave ligada à felicidade, liberdade, força e inteligência.

Nas bandeiras de São Francisco e Atlanta há uma Fênix, para representar a renovação e a aceitação de diferenças naquelas cidades americanas.

Compreender a Fênix e o seu sacrifício consciente, no fim da vida, mostra a grandeza do instinto natural. O auto sacrifício, o quase suicídio e a chance de ressurgir – das cinzas. Ela demonstra sua imensa força ao saber lidar com a morte, vencê-la e retornar dela radiante e esplendorosa.

Nesse ponto, tomamos o mito para uma reflexão mundana, mas necessária: estamos saindo/entrando de/em tempo pandêmico. Estamos terminando um ciclo anual e às vésperas de entrarmos em outro e precisamos, sobretudo, de renascimento: deixar renascer em cada um e cada uma de nós o esperançar, o sonhar, o acreditar que é possível vencer a morte ou seus porta-vozes.

Precisamos de características fenixianas para os enfrentamentos que o novo ano nos exigirá: persistência, sabedoria e saber recomeçar.

Será preciso, no ciclo de vida que nos espera e nos espreita, pela porta semiaberta para o novo, que tenhamos coragem para fazer parte da transformação que nos será exigida, seja ela pessoal, política, econômica ou de qualquer outra natureza. Que tenhamos forças – descomunais – como a ave, para enfrentar todas as nossas dificuldades. Que possamos transcender todas as situações desafiadoras e voltarmos mais firmes, conscientes, plenos e mais poderosos do que nunca.

A pequena, mas grandiosa Fênix, deve nos servir de inspiração na busca do nosso estado máximo de sublimação e de existência de nosso poder de superação.

A Fênix sempre vence a morte! Ave!

Phenix Fontes


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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