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Retrocesso e barganha na aprovação da PL do VENENO

Enquanto, por um lado, pessoas que buscam uma vida mais saudável, livre de químicos e produtos que agridem a natureza, por outro, uma minoria de latifundiários e empresa produtoras de venenos agem para promover uma verdadeira revolução no campo – a PL DO VENENO.

A aprovação do projeto de lei n. 6.299, chamado de PL dos agroquímicos, que ainda passará por várias discussões e provavelmente sansão presidencial, tira toda a rotulagem da lei anterior, deixando somente para o Ministério da Agricultura a aprovação ou não de um novo veneno. Atualmente, esse tipo de demanda passa pelo Ministério da Saúde, Ibama e Ministério da Agricultura e mesmo assim há contradições. Um exemplo clássico são os produtos rejeitados na União Europeia e utilizados no , ainda que autorizados pelos órgãos reguladores.

Se a nova Lei for aprovada na íntegra, os AGROTÓXICOS serão chamados de DEFENSIVOS AGRÍCOLAS OU PRODUTOS FITOSSANITÁRIOS. Até aí, uma pequena mudança, mas a liberação desses produtos passaria a ser regulada somente pelo Ministério da Agricultura, cujo Ministro é um dos maiores produtores e detentor do brasileiro. Isso causa estranheza e preocupação.

É importante salientar que o Brasil é um dos países que mais usa agroquímicos legalizados e não legalizados do mundo, uns contrabandeados do Paraguai e da Bolívia. As consequências desse tipo de prática são inimagináveis. O Instituto Nacional do Câncer
(Inca) elaborou vários relatórios sobre o uso indiscriminado e inadequado na aplicação dos venenos, que apontaram como resultado a morte de agricultores e o aparecimento de tumores na população.

Seres humanos e o são objetos desta indústria, que vende esses produtos cotados em moeda americana aos produtores com grandes lucros e poucas campanhas para orientar os seus usos. Há uma indústria forte, mantida por corporações mundiais, que detém a tecnologia da semente modificada e do veneno utilizado para as pragas oriundas da produção.

Retroceder neste caso, será matar aos poucos os seres vivos, com doses homeopáticas de veneno por meio de alimentos ditos “livres de agrotóxicos”. A cada ano o brasileiro ingere mais de 3 litros de veneno, que são agregados aos produtos da horta ou à soja, que está presente em vários alimentos que consumimos.

A esperança neste momento está no veto presidencial. Por isso, precisamos sensibilizar a população, os políticos e, em especial, a mídia.

Autor: Rodrigo Berté, Diretor da Escola Superior de Saúde, Biociência, Meio Ambiente e Humanidades do Centro Universitário Internacional Uninter.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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