Cosme e Damião: Salve a força dos Erês!

COSME E DAMIÃO: SALVE A FORÇA DOS ERÊS!

Cosme e Damião: Salve a força dos Erês!

Em 27 de setembro os terreiros de umbanda festejam os Erês, conhecidos também como Meninos d’angola, Ibeijada, Dois-Dois, Crianças, ou Ibejis

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Gêmeos Ibeji, representados por crianças, filhos de Xangô e Oxum Crédito: Reprodução/Sociedade Africana Reino De Xangô
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Os Erês são considerados feiticeiros poderosos, devido a proximidade que tem com os orixás, por isso qualquer trabalho espiritual realizado por eles tem resultados muito mais rápidos.

Eles são sincretizados com os santos gêmeos católicos São Cosme e São Damião comemorados em 27 de setembro pela igreja católica.

Nesta data festejamos as crianças sempre com muitos brinquedos, doces, caruru, vatapá, pipoca e não poderia ser diferente; pois são conhecidos por agilizar qualquer pedido em troca das guloseimas que eles tanto apreciam.

Dia de fazer pedidos especiais, pois os orixás crianças tem força especial para pedidos e socorro às causas impossíveis. Data propícia a vários trabalhos espirituais como:

  • prosperidade financeira;
  • melhorias no emprego;
  • arrumar emprego;
  • passar no vestibular;
  • passar em concursos públicos;
  • patuás diversos para pedidos de causas impossíveis;
  • trabalhos de cura espiritual, principalmente para crianças;
  • trabalhos espirituais para engravidar e ter um bom parto;
  • amarrações de amor.

Fonte: Raízes Espirituais

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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