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"Bonnie & Clide"

“Bonnie & Clide”

“Bonnie & Clide”. Sabe-se, agora, que Deltan Dallangnol tinha uma companheira de jornada, a quem carinhosamente designava de “laranja”: a também procuradora Thaméa Danelon. Juntos, Dallangnol & Danelon formaram, nos porões da Lava Jato, uma dupla do barulho.

Por Leandro Fortes

Danelon é uma dessas disfunções ambulantes do conceito de Ministério Público consolidado pela Constituição Federal de 1988 – como de resto, toda essa patota de Curitiba que, de fiscal da lei, se transformou o MP em um diretório político de extrema-direita em nome da sempre recorrente e reacionária luta anticorrupção.

No estilo dondoca empoderada, cada vez mais, um clássico do alto serviço público brasileiro, Thaméa Danelon era figurinha fácil nos eventos pró impeachment de Dilma Rousseff ao lado de lideranças do Vem Pra Rua, uma dessas agremiações fascistoides que transformaram as cores nacionais numa combinação nauseabunda de tons verde e amarelo de ódio e proselitismo neonazista.

Danelon chegou a ser nomeada chefe da força-tarefa da Lava Jato, em São Paulo, mas foi demitida por incompetência. Na avaliação de seus gurus liderados por Deltan Dallagnol, a frente lavajatista paulistas não conseguiu impor o mesmo ritmo de suas coirmãs de Curitiba e do Rio de Janeiro. A procuradora, no entanto, manteve-se leal a seu parceiro, como demonstram os novos vazamentos do Instagram publicados pelo The Intercept Brasil.

Danelon, a pedido de Dallangnol, articulava-se com grupos neofascistas para pressionar o Supremo Tribunal Federal a votar a favor de manter a prisão de réus condenados em segunda instância, contra o que manda a Constituição. O alvo, claro, era o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a única e verdadeira obsessão dessa gente.

Não só aceitou ser laranja do alegre Dallangnol como, em pleno surto de ódio àqueles que hesitavam em realizar seus desejos sombrios, no STF, disparou, no Telegram, com a típica risadinha dos bolsominions: “Eu colocava todos na barraca e metralhava kkkk”.

São essas pessoas, mercenários loucos e doentes, que ajudaram prender um homem inocente, destruíram a economia do País e criaram o terreno fértil para a eleição de um demente para a Presidência da República.”

Nota: Texto encontrado nas Redes Sociais

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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