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E Trump foi para o espaço

E Trump foi para o espaço

Sabiamente, o autor, analisa a vitória de Biden e o recrudescimento mal humorado do Presidente e seu silêncio mal humorado. Dói para o presidente saber que não existe mito invencível, desde que o povo analise, tire conclusões e não vote nele

Reação de Bolsonaro amplia sua derrota com Trump

O silêncio mal-humorado de Jair Bolsonaro diante da vitória eleitoral de Joe Biden nos Estados Unidos não apenas aumenta o tamanho da derrota que ele próprio sofre com o resultado das urnas norte-americanas como serve de medida para as dificuldades que o brasileiro enfrentará com a perda não só do seu “grande irmão do Norte” como, também, da ideia de ‘mito invencível’ que seu paradigma “gringo” ostentava.

Não adianta que integrantes do seu governo digam que nada muda nas nossas relações com os Estados Unidos. A atitude de Bolsonaro só confirma que ele será, por todas as razões, um dos alvos políticos do novo comando da Casa Branca, porque isolá-lo é o caminho mais fácil para, diante da Europa e da própria América Latina, afirmar uma postura de afirmar sua convicções pró-democracia e sobre temas ambientais.

Bolsonaro, afinal, é – e faz questão de ser – um pobre clone projetado de Trump por estas bandas.

O próprio resultado e as declarações que se seguiram à vitória de Biden, todas afirmando que é preciso superar os ódios, a discriminação, a transformação de adversários em inimigos são, afinal, o derrota do discurso que triunfou aqui nos últimos anos.

E significou, também, uma atitude de superação das partições “identitárias” como fator essencial da política: afinal, formou-se uma quase unanimidade entre estes grupos de que a oposição ao fascismo e a estupidez é um passo que antecede e engloba suas lutas setoriais, por mais que elas tenham, claro, uma natureza universal.

O quanto isso vai representar depende, claro, dos dias turbulentos que ainda se irão viver nos EUA, com recursos e contestações judiciais e políticas que o resultado das urnas enfrentará, mas parece evidente que não há neles força para levar adiante uma cisão do país.

Não haveria dúvidas de que o governo Bolsonaro estaria, a esta altura, inviabilizado se não fosse uma diferença, marcante, do que se passa por lá e o que acontece aqui: a cumplicidade das Forças Armadas com o presidente e não com a prevalência do poder civil.

Os generais que partidarizaram as nossas Forças Armadas terão de ser por elas esvaziados politicamente. Do contrário, serão também levadas de roldão no despenhadeiro político que este governo tem à frente.

Fonte: Tijolaço

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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