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O Cerrado também queima

O Cerrado também queima

Setembro é um mês pleno de datas importantes para o Meio Ambiente. No 5 de setembro, celebramos o Dia da Amazônia. 11 de setembro é o Dia do Cerrado. O Dia da Árvore é comemorado no dia 21 e, em 2019, o início da  Primavera foi marcado para o dia 23 de setembro.

Por  Rosilene Corrêa Lima

Em Brasília, especialmente no Sistema Público de Ensino do Distrito Federal, essas datas são comemoradas todos os anos. E todos os anos o  SINPRO/DF se faz presente por seu compromisso com a defesa do Meio Ambiente e da qualidade de vida para as gerações de agora e para as que virão depois de nós.

Infelizmente setembro é também o mês onde se dá o pico da temporada das queimadas criminosas que a alastram pela Amazônia e por todos os biomas brasileiros. No Cerrado não é diferente. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram uma escalada do fogo nas regiões de Cerrado do nosso Planalto Central.

Aqui no Centro-Oeste, os mapas do INPE registraram, até o mês de agosto, 22.128 focos de queimada, contra os 11.035 do ano de 2018 ou seja, os incêndios florestais cresceram 100% no ano de 2019, deixando o nosso bioma atrás apenas das grandes queimadas da Amazônia.

Em Brasília, o fogo também castiga. De janeiro a agosto, o Corpo de Bombeiros atendeu mais de 4.500 ocorrências de incêndios florestais no Distrito Federal. Em 2018, Brasília perdeu1,436,41 hectares de vegetação para as queimadas. Este ano, até agosto, essa área já havia duplicado.

Em 2019, até julho, foram 3.035,57 hectares segundo dados do Corpo de Bombeiros, o que corresponde a mais de 30% da área verde tombada da capital federal, que é de 112,25 km2, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A imensa maioria das queimadas registradas na nossa região resultam, de acordo com o Corpo de Bombeiros, da ação humana, incluindo a  realização de fogueiras, a limpeza de terrenos com fogo e o ato de jogar “bitucas” de cigarro em locais de vegetação seca.

Para evitar as chamas do fogo que devasta a biodiversidade do bioma em que vivemos, os bombeiros recomendam:

  • Retirar toda a vegetação do local onde se pretende fazer uma fogueira;
  • Jamais usar fogo para a limpeza de terrenos, queima do lixo ou resto de poda de árvores;
  • Após fumar, apagar o cigarro antes de descartá-lo em lugar adequado e nunca jogar cigarro aceso pela janela do carro, muito menos ao longo das rodovias.

O SINPRO/DF se junta à comunidade escolar na celebração das datas ambientais de setembro e na defesa da proteção e conservação das riquezas naturais do bioma Cerrado – nossas nascentes, nossas matas, nossa biodiversidade porque só assim teremos uma melhor qualidade de vida para toda a população do Distrito Federal.

 

Rosilene Correa

Rosilene Corrêa Lima – Diretora do SINPRO/DF

 

 


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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