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O SIGNIFICADO DAS FLORES NO UNIVERSO FEMININO

O significado das flores no

Antigamente, moças e rapazes mal se falavam durante o namoro. Beijo, então, nem mesmo durante o noivado, só depois do casamento. Esses eram tempos em que os amores se expressavam pela linguagem das flores, por isso surgiram estudos sobre o significado das flores no universo feminino.

Por Zezé Weiss

Em seu livro Segredos de Tias e Flores (Editora Relume &Dumará, 1984), a escritora Henda  compilou uma linda lista dessas preciosidades. Henda também registrou um desses complexos e divertidos diálogos:

“Por ti sinto cravo encarnado (amor vivo e puro). Sofro com tua hortênsia (indiferença). Admiro tua violeta branca (ingenuidade). Espero margarida (resposta). Por favor, mande-me uma íris (mensagem).”

Os dicionários com o significado das flores eram cuidadosamente guardados em gavetas fechadas com chave para que mães e avós não bisbilhotassem. Os códigos das flores eram um pouco assim como as senhas para os nossos zaps dos dias de hoje. Talvez bem mais complexos, mas provavelmente muito mais divertidos.

O SIGNIFICADO DAS FLORES
Foto: Wikipédia

Confira o significado das principais flores utilizadas pelas pessoas apaixonadas nos tempos de antigamente:

Açucena – inocência
Alecrim verde – firmeza
Alecrim seco – saudades
Alfazema – volubilidade
Amarílis – ostentação falsa
Amor-perfeito – pensamento
Angélica – inconstância
Angélica branca – inspiração
Angélica branca dobrada – alento e vigor

Balsamina – previdência,zelo
Beijo-de-frade branco – atrativos, simpatia
Beijo-de-frade pintado – protesos de amor
Boca-de-leão azul – amor sorrateiro
Boca-de-leão branca – mau resultado
Boca-de-leão encarnada – contenda
Botão de cravo amarelo – desespero total
Botão de cravo cor-de-rosa – união
Botão de rosa branca – coração que nunca amou
Botão de rosa encarnada – perfeição
Botão de rosa amarela – disparate

Camélia banca – pensamento puro
Camélia rosa – grandeza da alma
Capuchinhas – respeito, discrição
Coroa imperial – glória
Cravo amarelo – desprezo, desdém
Cravo branco – atração, inclinação afetuosa
Cravo rosado – alento, preferência

Dália amarela – venturas
Dália branca – candura
Dália cor-de-rosa – crueldade
Dália rajada – juras de amor

Ervilha-de-cheiro – prazer

Flor de laranjeira – afabilidade, felicidade

Gerânio – tristeza, espírito melancólico
Goivos amarelos – preferência
Goivos encarnados – enfado
Goivos roxos – solidão

Heliotrópio – amor sincero
Hortênsia – indiferença

Íris – mensagem

Jacinto – sabedoria
jasmin-do-cabo – encantamento, pretensão
Jasmin-da-espanha – amabilidade
Jasmin miúdo – paixão
Junquilho – desejos
Junquilho dobrado – namoro

Lilás azul – primeiro amor
Lilás branco – exprobação, reprovação
Lilás roxo – tédio, tristeza

O SIGNIFICADO DAS FLORES
Foto: Wikipédia

– amor puro
Lírio amarelo – incerteza

Madressilva – consideração, delicadeza de sentimentos
Magnólia – incompreensão
Mal-me-quer – amor oculto
Malva cheirosa – aviso
Maravilhas – admiração
Margarida branca – espera, resposta
Mimo-de-vênus branco – satisfação
Miosótis – lembrança, recordação
Monsenhor branco – desistência
Monsenhor roxo – perigo
Murta – doce amor

Narciso – gentileza

Papoula – feliz encontro
Perpétua roxa – saudade eterna

Resedá – virtude oculta
Rosa amarela – infidelidade, traição
Rosa branca – silêncio, pudor
Rosa chá – gentileza
Rosa cor-de-rosa – laços indissolúveis
Rosa-da-índia – estima
Rosa-de-jericó – graça
Rosa vermelha – chamas de amor

Sálvia – coragem
Saudade branca – sinceridade
Saudade roxa – sofrimento
Suspiros – dúvidas

Tulipa – honestidade

Verbena – encanto
Violeta – humildade
Violeta branca – ingenuidade
Violeta roxa – modéstia

Zínia – abandono

O SIGNIFICADO DAS FLORES
Foto: Wikipédia

Zezé Weiss – Jornalista – zezeweiss@gmail.com. Imagem de capa: Rafa Neddemeyer/Agência  

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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