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Omi Ibeji. Bejé eró!”: Salve a força de dois, Salve os Ibejis!

Omi Ibeji. Bejé eró!”: Salve a força de dois, Salve os Ibejis!

Mais do que um mito, uma história, ou várias histórias diferentes que são contadas há milênios sobre essas entidades cultuadas em algumas religiões afrodescendentes, eles são transcendentais: energia pura, magia pura! E em dobro, bençãos dobradas a todos nós, e que assim o universo nos conceda. Gêneros são discutidos em mitologias, mas vamos falar da energia? É além-mais-que-matéria. É magia.

Por Reinaldo Bueno Filho

Mas, voltando aos dois, eles representam as deidades enquanto arquétipos de infantes: puros, alegres, cativantes, vívidos e de generosidade sem igual. É como se eles vissem a vida com os mesmos olhos de crianças. Você se lembra de como via a vida quando era criança? Seus sonhos? Seus planos? A vontade pura, simples, clara e direta de fazer felicidade para aqueles que você tinha a sua volta e, em consequência, também, ser feliz. Se você se lembra, você vai saber exatamente do que se trata a energia dos Ibejis.

São cultuados de forma sagrada, sempre, e representam nascimento e vida. Viver e sobreviver. Continuamente, gerando alegria, felicidade, levados de bondade, porque só assim o seu culto será eternizado – pela lembrança da pureza da bondade e da felicidade. E em se tratando de viver e sobreviver, há sempre de se considerar o culto ao que é deixado de legado, exemplo, modo de conexão com suas qualidades e forças.

Também pela qualidade de conceber legado por pureza e bondade, sua energia é tão sagrada que desfazem qualquer energia ruim, maldição, e, sobretudo, esse poder deles é soberano. Não importa qual outra deidade tratamos, em qualquer sincretismo, o que eles fazem, está feito, e não pode ser desfeito. E o que eles desfazem jamais pode ser refeito a não ser por eles. Afinal, se não assim, como deixariam o legado de uma vida feliz, de sonhos, alegrias e felicidade?

Em sincretismo, temos os protetores das crianças para os católicos, dessa mesma energia, em São Cosme e São Damião – e não vamos nos esquecer de Doum! O que se encantou, mas de tão grande importância quanto! Protegem a vida, em toda sua compreensão.

Reinaldo Bueno Filho – Escritor. Imagem: Flickr/Elena.org.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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