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Raphael Martinelli, fundador do PT, presente!

Raphael Martinelli, fundador do PT, presente!

Nota de pesar do PT pela morte do companheiro Raphael Martinelli, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em 1980, aos 95 anos. Leia a nota:

É com profundo pesar que a direção nacional do Partido dos Trabalhadores comunica o falecimento na data de hoje, 16 de fevereiro de 2020, de um de seus fundadores Raphael Martinelli, de 95 anos.
Nascido no bairro da Lapa em São Paulo, começou desde cedo a militar como ferroviário no Partido Comunista Brasileiro (PCB) nos anos 1940. Foi um importante líder sindical e fez parte do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Junto com Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira participou da fundação da Ação Libertadora Nacional (ANL).
Em decorrência de sua militância, foi perseguido por mais de duas décadas e preso duas vezes: a primeira em 1955 como líder sindical dos ferroviários e novamente em 1970, durante a Ditadura Militar, sendo submetido a torturas dentro dos centros de repressão DOI-Codi/SP e Deops/SP e concluindo sua pena no Presídio Tiradentes.
Foi um dos idealizadores da Lei da Anistia para trabalhadores e operários. Em 2001, foi um dos fundadores do Fórum dos ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo e um dos responsáveis pela implantação do Memorial da Resistência.
Também foi um dos fundadores, em 2009, do Núcleo de Preservação da Memória Política e ativo colaborador da Comissão Nacional da Verdade, como advogado do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil. Em 2014, lançou sua biografia “Estações de Ferro”, junto com Roberto Gicello Bastos.
Companheiro Martinelli, presente, agora e sempre.
Gleisi Hoffmann
Presidenta Nacional do PT
Fonte: PT Notícias

 

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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