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Fotos de Sebastião Salgado voltam à Funai

Fotos de voltam à Funai após saída do Coiso

Devolução das fotografias para Salgado aconteceu após o fotógrafo criticar a política indigenista de Bolsonaro.

Por Cley Medeiros/ Mídia Ninja

O brasileiro Sebastião Salgado é um dos fotógrafos mais famosos do mundo e algumas de suas fotografias decoravam a sede da, à época, Fundação Nacional do Índio, que passou a utilizar o nome correto: Fundação Nacional dos , até serem devolvidas a ele, em 2020, durante a gestão de Jair Bolsonaro. Agora, as fotos estão retornando à sede da Funai.

A devolução das fotografias para Salgado aconteceu após o fotógrafo criticar a política indigenista de Bolsonaro durante a pandemia de . De acordo com a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, isso teria sido a razão pela qual o presidente da Funai na época, Marcelo Xavier, devolveu 15 fotos para o criador.

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Indígenas Korubo, Vale do Javari, . Foto: Sebastião Salgado/Agência

As obras, avaliadas em quase R$ 1 milhão, são provenientes de um trabalho feito por Salgado em colaboração com a Funai em 2017, durante uma expedição com o povo indígena korubo, do Vale do Javari, no Amazonas. Os quadros, que estavam espalhados em diversas salas pela sede da Funai em Brasília, ficaram sob a guarda do Ministério Público Federal enquanto aguardavam a resolução do caso.

Durante as celebrações do Abril Indígena, um evento especial organizado pela Funai que contará com diversas ações em favor dos ao longo do mês, espera-se que as fotografias sejam devolvidas e exibidas nas paredes da sede da fundação.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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